Queijo vira crime, mas UTI aérea na festa da JBS, R$ 308 milhões nos fundos do Master e R$ 447 milhões na Reag ligada ao PCC seguem “OK” para o MP

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) protocolou, nesta terça-feira (07.04), uma petição criminal no Tribunal de Justiça solicitando autorização para investigar o deputado estadual Gilberto Cattani (PL). A investigação foca na assessora Nathalia Jovelina, que recebeu R$ 1.620,00 em diárias da ALMT para supostamente atuar na feira Show Safra, em Lucas do Rio Verde, mas foi filmada vendendo queijos da família do parlamentar. Cattani classificou o episódio como “narrativa da mídia”, sustentando que a servidora estava em missão oficial no estande da Assembleia e seguiu agenda pelo interior após o evento.

Embora a fiscalização do recurso público seja essencial, a mobilização do aparato judicial por pouco mais de mil reais revela um contraste incômodo com a inércia do MP em casos de maior envergadura. O órgão, que agora demonstra rigor com a venda de queijos, é o mesmo que não viu crime no uso de UTI aérea pelo ex-governador Mauro Mendes e sua esposa, Virgínia Mendes, para a festa da JBS em Goiás, e ignorou os R$ 308 milhões do Banco Master que irrigaram empresas da família do ex-governador, sócios e aliados. Nestes últimos 7 anos e 3 meses de gestão Mauro Mendes, esses são apenas alguns casos escandalosos que o silêncio se repete, como nos R$ 447 milhões destinados ao fundo da gestora Reag — investigada por suspeitas de ligações com o crime organizado (PCC) — para as obras da BR-163.

A seletividade na atuação do MPMT levanta questionamentos sobre a equidade no tratamento de denúncias no estado. Este blog respeita muito a instituição Ministério Público, mas o que assistimos nesses últimos anos, inclusive com promotores virando desembargadores em meio a esse cenário, foi lamentável e fúnebre. Enquanto matérias jornalísticas de sites nacionais e locais mostravam o enriquecimento de diversos personagens do entorno do governo Mauro Mendes sem que o MP se interesse em investigar, o foco punitivo recai sobre uma assessora no interior. O cenário sugere uma política de “dois pesos e duas medidas”, onde o rigor da lei se mostra ágil para casos menores, mas curiosamente lento diante dos verdadeiros escândalos de poder que envolvem o Palácio Paiaguás.

EXTRATO EXPLOSIVO: Banco Master deposita R$ 9,9 milhões na conta de Leo Dias e prova fofoca foi um bom investimento

Enquanto o cidadão comum conta moedas para pagar a anuidade do cartão, o jornalista Leo Dias parece ter desbloqueado o nível “VIP Premium” do sistema financeiro. Um relatório do Coaf, obtido pelo Estadão, revelou que o Banco Master transferiu quase R$ 10 milhões diretamente para uma empresa do rei dos fofoqueiros. A cifra, digna de prêmio acumulado da Mega-Sena, mostra que no Brasil de hoje, um “furo” bem dado no mundo das celebridades pode valer muito mais do que qualquer aplicação de renda fixa no Tesouro Direto.
Para justificar o saldo bancário de dar inveja a herdeiro, Leo Dias correu para explicar que o montante é fruto de publicidade para o Will Bank, braço do conglomerado de Daniel Vorcaro. No entanto, o público não perdeu a piada: entre uma nota sobre separação de sertanejo e outra sobre barraco em reality, o jornalista acabou virando o próprio “case” de sucesso do mercado de capitais. Se o Banco Master queria visibilidade, conseguiu — mas agora todo mundo quer saber se o próximo “exposed” de Leo virá com uma planilha de dividendos e um cafezinho na gerência.

Coaf aponta repasses suspeitos de R$ 27 milhões do Banco Master ao Metrópoles

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras atípicas envolvendo o pagamento de R$ 27 milhões pelo Banco Master ao portal Metrópoles, que prontamente transferiu os valores para empresas ligadas à família do ex-senador Luiz Estevão. Enquanto o órgão de fiscalização levanta suspeitas de “movimentação em benefício de terceiros”, o ex-parlamentar defende a legalidade da transação, afirmando que o montante se refere ao patrocínio para a transmissão da Série D do Brasileirão 2025 e reiterando sua autonomia sobre a gestão dos recursos recebidos por suas empresas.

Cattani chama MST de “vagabundos” e detona Neri Geller: “Miolo mole”

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) elevou o tom do confronto político em Mato Grosso ao responder de forma virulenta às declarações do ex-ministro Neri Geller. Em vídeo, o parlamentar selou o fim da convivência cordial entre as famílias, disparando que o respeito acabou a partir do momento em que Geller se aliou ao governo federal e passou a “defender o MST”. Cattani, que faz questão de se identificar como assentado da “reforma agrária genuína”, separou drasticamente sua história da atuação do movimento social, o qual classificou como uma “corja de vagabundos” e “grupo de bandidos” que promove o terror no campo.
A crítica sobrou também para a capacidade cognitiva de Geller, a quem o deputado chamou de “miolo mole” por supostamente tentar confundir a reforma agrária oficial com as invasões de terra. Cattani acusou o ex-ministro de mentir para o setor produtivo ao compactuar com a destinação de terras em Mato Grosso para o MST, citando casos recentes de áreas em Nova Guarita. Com um discurso carregado de ideologia e ataques pessoais, o parlamentar deixou claro que o embate entre o bolsonarismo raiz e a base lulista no estado não aceita mais tons cinzentos, partindo para o confronto aberto.

“Fica quieto!”: Neri Geller diz que Cattani é assentado da reforma agrária e prova viva de projeto que ele hoje ataca

O ex-ministro Neri Geller subiu o tom contra Gilberto Cattani, disparando que o parlamentar deveria “ficar quieto” e reconhecer que sua própria história é fruto da reforma agrária. Relembrando o tempo em que as famílias trabalhavam juntas no campo, Geller buscou desconstruir o discurso do rival ao afirmar que Cattani é beneficiário direto de um projeto do Incra. Para o ex-ministro, é uma contradição o deputado estadual do PL, expoente do bolsonarismo de extrema direita, usufruir de uma terra conquistada via Estado enquanto gasta energia atacando as políticas de distribuição de renda que garantiram seu sustento no passado.
De acordo com analistas políticos, a fala de Geller tenta expor o que chama de “fragilidade ideológica” do parlamentar, apontando que Cattani é a prova viva de que projetos de reforma agrária funcionam, apesar de o deputado rotular movimentos do setor como criminosos. Ao destacar que Cattani é um assentado, o ex-ministro busca carimbar no parlamentar bolsonarista o selo de ingratidão, argumentando que sua ascensão social e política foi alicerçada por um programa de governo que ele hoje demoniza. O embate escancara a divisão profunda entre o passado de cooperação mútua e o atual cenário de polarização radical em Mato Grosso.

CRISE NA SEGURANÇA. Salário de investigador e escrivão chega a ser menor que carreiras de nível médio, aponta Sinpol-MT

Sinpol-MT

O salário de investigador e escrivão da Polícia Civil de Mato Grosso não está equiparado às demais carreiras de nível superior do Estado, sendo inferior inclusive a algumas carreiras de nível médio. A observação foi feita pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso (Sinpol-MT), Gláucio Castañon, durante conversa com a Associação dos Analistas do Poder Judiciário de Mato Grosso (Anajud-MT).

“A sociedade vê grande operações da Polícia Civil, com recuperação de ativos, bloqueio milionário em contas bancárias, identificação de bens (…). Quem faz essa análise, através dos dados extraídos, são os investigadores”, ressalta Gláucio, lembrando que toda a análise de dados, sejam elas financeira, bancária ou de vínculo entre diversos atores que cometeram crimes, são feitos pela Polícia Civil. “São em torno de 15, 16 análises diferentes”, aponta.

Mesmo nessa posição estratégica das carreiras de nível superior do Estado, o salário não acompanha a complexidade da função.

“Nosso salário não é compatível com os demais cargos de nível superior do Estado. Os analistas do sistema penitenciário, os analistas do socioeducativo, analistas do Detran, analistas da área meio. O nosso salário hoje é o pior salário de nível superior do Estado. Inclusive tem carreira de nível médio, cujo salário final é maior que o salário final de investigador e escrivão”, informa o presidente do Sinpol.

Operação Legalidade

Investigadores e escrivães iniciaram dia 30 de março em Mato Grosso a ‘Operação Legalidade’. Foi uma resposta ao descaso do governo estadual em implementar a reestruturação operacional e administrativa da Polícia Civil, prevista na nova Lei Orgânica (14.735/2023) nacional e que foi sancionada há mais de dois anos pelo governo federal. Na prática, investigadores e escrivães passaram a fazer apenas o que tem previsão legal.

Em função do quadro e para cumprir com a função social de levar ao conhecimento da sociedade a real situação da segurança pública mato-grossense, Sinpol e Sindepojuc (Sindicato dos Escrivães da Polícia Civil) recomendam que se esclareça às vítimas, familiares e sociedade em geral, os seguintes assuntos:

· Descaso do governo para com a polícia investigativa;

· ⁠Os prejuízos causados à sociedade pela falta da implementação da Lei Orgânica Nacional, como exemplo, a demora no atendimento nas delegacias e a falta de otimização da investigação;

· Falta de efetivo (menos de 50% do efetivo previsto);

· ⁠Desvio de função: além do efetivo ser insuficiente, os investigadores ainda têm que fazer escolta e cuidar de presos (o que proibido por lei), deixando assim de investigar os crimes que prejudicam a sociedade; ⁠

. Sobrecarga de trabalho excessiva, com investigadores chegando a trabalhar 192 horas (plantão nas delegacias) e ficando mais 192 horas de sobreaviso, aguardando ser acionado a qualquer momento.

. Explicar que por lei a carga horária seria de apenas 160 por mês, ou 40 horas por semana, como os demais servidores públicos.

Confira trecho da conversa do presidente do Sinpol com a Anajud:https://www.instagram.com/reel/DWzCFMwkbez/embed/captioned/?cr=1&v=14&wp=675&rd=https%3A%2F%2Fsinpolmt.org.br&rp=%2Fcrise-na-seguranca-salario-de-investigador-e-escrivao-chega-a-ser-menor-que-carreiras-de-nivel-medio-aponta-sinpol-mt%2F#%7B%22ci%22%3A0%2C%22os%22%3A27253%2C%22ls%22%3A9543.300000071526%2C%22le%22%3A24040.100000023842%7D

ESCÂNDALO NA SAÚDE: JUSTIÇA TRAVA LICITAÇÃO DE R$ 11 MILHÕES DA EMPRESA CUIABANA POR SUSPEITA DE FAVORITISMO

A gestão da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) volta a estar sob o holofote por motivos nada nobres. Uma decisão judicial urgente paralisou um pregão milionário destinado a contratar serviços médicos para os hospitais HMC e HMSB, após a revelação de indícios gravíssimos de conflito de interesses e atropelo às leis de licitação.
No centro da polêmica está o Pregão Eletrônico nº 14/2025. A Justiça de Mato Grosso atendeu a um pedido de liminar que aponta uma ilegalidade gritante: a empresa declarada vencedora, Intensivo Gestão Hospitalar Ltda., pertence a um médico que é servidor efetivo da própria Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá — pasta à qual a ECSP é vinculada.
O “jogo marcado” e o silêncio da gestão
A lei é clara ao proibir que servidores participem de licitações em órgãos onde atuam ou em entidades vinculadas. Mesmo assim, a diretoria da ECSP ignorou o alerta e avançou com o processo de R$ 11 milhões, permitindo que um “colega de casa” abocanhasse o contrato. A suspeita é de que o uso de informações privilegiadas tenha viciado o certame desde o início.
O caso já havia passado pelo Tribunal de Contas (TCE), mas a persistência da irregularidade obrigou o Judiciário a intervir de forma drástica para evitar um dano irreversível aos cofres públicos. Enquanto a diretoria da Empresa Cuiabana tenta reverter a decisão nos tribunais, a sociedade assiste a mais um capítulo de suspeição em uma área que deveria ser tratada com transparência absoluta: a saúde de quem mais precisa.
Até quando a Empresa Cuiabana de Saúde continuará sendo palco de manobras que ignoram a ética e a legislação federal? Com a palavra, os órgãos de controle.

PIVETTA ATROPELA LEI DE ORGANIZAÇÃO DA PM E INSTALA CRISE SEM PRECEDENTES AO SUBORDINAR CORONÉIS A SARGENTO

A decisão do governador Otaviano Pivetta de nomear uma sargento para função privativa de oficial superior configura um grave atropelo à Lei Complementar nº 466/2012, que alterou a Lei de Organização Básica da PMMT. Conforme denunciado pela Associação dos Oficiais (ASSOF/MT), o Artigo 21, § 3º da referida lei é taxativo ao determinar que a função de Assessor Militar deve ser provida, exclusivamente, por um Coronel do último posto da ativa. Ao ignorar o requisito legal, o Executivo não apenas fere o princípio da legalidade estrita previsto na Constituição Federal, mas promove um desvio de função que desarticula a lógica de comando e gera uma insegurança jurídica sem precedentes dentro das instituições militares estaduais.
A “revolta da caserna” ganhou contornos jurídicos sólidos, com a oficialidade apontando que a nomeação política não tem amparo para flexibilizar normas de caráter obrigatório. Oficiais da ativa e reserva classificam a medida como um “vício de finalidade” que humilha a estrutura de carreira e fragiliza a autoridade do próprio Comandante-Geral. Para as entidades representativas, ao colocar um subordinado em cargo reservado por lei ao oficialato, o governo sinaliza um desprezo pela meritocracia e pelos pilares da hierarquia e disciplina, transformando a estrutura de Estado em um instrumento de conveniência política que afronta o Estado Democrático de Direito.

ASSOCIAÇÃO DOS OFICIAIS DA POLÍCIA E CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE MATO GROSSO

NOTA PÚBLICA – EM DEFESA DA LEGALIDADE E DAS PRERROGATIVAS DOS OFICIAIS MILITARES ESTADUAIS DE MATO GROSSO

A Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiros Militar de Mato Grosso – ASSOF/MT, no exercício de sua missão institucional como entidade representativa dos Oficiais da PMMT e do CBMMT, vem a público manifestar-se sobre a recente divulgação da nomeação para a função de Assessor Militar da Secretaria do Gabinete Militar do Estado de Mato Grosso, realizada em desconformidade com requisito legal que exige sua ocupação, de forma exclusiva, por Oficial do último posto da ativa do Quadro de Oficiais Policiais Militares – QOPM, qual seja, Coronel.

A Lei Complementar nº 466, de 05 de junho de 2012, ao alterar a Lei Complementar nº 386/2010, estabelece de forma expressa em seu Art. 21, § 3º, que: “A função de Assessor Militar de que trata o inciso V, deste artigo será provida por Oficial do último posto do QOPM.”

Trata-se de norma de caráter cogente, que vincula a Administração Pública e não admite flexibilizações ou interpretações ampliativas que desbordem de seu conteúdo expresso.

A Administração Pública submete-se ao princípio da legalidade previsto no art. 37 da Constituição Federal, devendo observar estritamente os requisitos normativos para investidura em cargos públicos.

O descumprimento desse comando legal representa afronta ao princípio da legalidade estrita, pilar do Estado Democrático de Direito, e configura desvio de função, com esvaziamento das atribuições legalmente reservadas ao oficialato. Causa, ainda, incompatibilidade jurídico-funcional, insegurança jurídica e potencial desestruturação da cadeia hierárquica institucional, alicerce da disciplina nas corporações militares.

A carreira de Oficial possui requisitos próprios de ingresso, formação e progressão, definidos em lei. O respeito a essas regras é condição essencial para preservação da hierarquia, da disciplina e da segurança jurídica no âmbito das instituições militares estaduais.

Fiel à defesa dos interesses institucionais de seus associados e ao respeito à ordem jurídica vigente, a entidade reafirma que a estrita observância à Lei de Organização Básica é imprescindível para a manutenção da segurança jurídica, da hierarquia e da disciplina, bem como para o fortalecimento das carreiras que compõem a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso.

Reiteramos nosso compromisso com a legalidade, com o pleno respeito às prerrogativas da categoria, com o fortalecimento institucional da PMMT e do CBMMT e com o interesse público, mantendo-nos abertos ao diálogo, mas irredutíveis na defesa da ordem jurídica.

Cuiabá-MT, 08 de abril de 2026.

WANKLEY CORREA RODRIGUES – CEL PM RR
Presidente da ASSOF-MT

A “Melancia” de Mato Grosso: Passado de Mauro Mendes com petistas assombra bolsonaristas

O ex-governador Mauro Mendes encontra-se em um beco sem saída ideológico após o resgate de imagens históricas que provam sua antiga simbiose com o PT. Em 2008, longe do discurso conservador que tenta emplacar hoje, Mendes não apenas buscava desesperadamente a benção de Dilma Rousseff, como também escolheu a petista Vera Araújo para ser sua vice na disputa pela Prefeitura de Cuiabá. Esse currículo puramente esquerdista expõe a fragilidade de sua atual postura, revelando um político que transita entre polos opostos com uma facilidade que beira o puro oportunismo eleitoral.
Nos círculos bolsonaristas, o diagnóstico sobre o ex-governador é implacável: Mendes é tratado como uma “melancia”, termo usado para descrever aqueles que se pintam de verde por fora para enganar o eleitorado patriota, mas permanecem vermelhos por dentro em sua essência. Ao tentar se camuflar na direita sem ter abandonado suas raízes progressistas, ele acabou perdendo o respeito de ambos os lados. Para a esquerda, é um aliado infiel; para a direita, é um infiltrado cuja conveniência política fala mais alto que qualquer convicção, tornando-o uma figura sem credibilidade junto às bases que hoje tenta conquistar.