A gestão da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) volta a estar sob o holofote por motivos nada nobres. Uma decisão judicial urgente paralisou um pregão milionário destinado a contratar serviços médicos para os hospitais HMC e HMSB, após a revelação de indícios gravíssimos de conflito de interesses e atropelo às leis de licitação.
No centro da polêmica está o Pregão Eletrônico nº 14/2025. A Justiça de Mato Grosso atendeu a um pedido de liminar que aponta uma ilegalidade gritante: a empresa declarada vencedora, Intensivo Gestão Hospitalar Ltda., pertence a um médico que é servidor efetivo da própria Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá — pasta à qual a ECSP é vinculada.
O “jogo marcado” e o silêncio da gestão
A lei é clara ao proibir que servidores participem de licitações em órgãos onde atuam ou em entidades vinculadas. Mesmo assim, a diretoria da ECSP ignorou o alerta e avançou com o processo de R$ 11 milhões, permitindo que um “colega de casa” abocanhasse o contrato. A suspeita é de que o uso de informações privilegiadas tenha viciado o certame desde o início.
O caso já havia passado pelo Tribunal de Contas (TCE), mas a persistência da irregularidade obrigou o Judiciário a intervir de forma drástica para evitar um dano irreversível aos cofres públicos. Enquanto a diretoria da Empresa Cuiabana tenta reverter a decisão nos tribunais, a sociedade assiste a mais um capítulo de suspeição em uma área que deveria ser tratada com transparência absoluta: a saúde de quem mais precisa.
Até quando a Empresa Cuiabana de Saúde continuará sendo palco de manobras que ignoram a ética e a legislação federal? Com a palavra, os órgãos de controle.


