O alerta de Maurinho Carvalho sobre a chegada do “comitê da maldade” ganhou contornos de ironia fina e um endereço de entrega bastante suspeito. Atual secretário da Casa Civil de Otaviano Pivetta — e ocupante do mesmo cargo na gestão Mauro Mendes —, o sócio da “família real” do Paiaguás agora assiste, de dentro do gabinete, a um vídeo produzido por Inteligência Artificial atacar frontalmente o senador Wellington Fagundes. A peça traz de volta a acusação de cobrança de 30% de propina, uma narrativa que, por “coincidência”, rima perfeitamente com os recentes ataques desferidos pelo próprio Pivetta contra o senador.
Se Maurinho pediu orações para que a eleição termine em paz, o “amém” parece ter ficado preso na garganta diante de tamanha hipocrisia. Ao ocupar o coração estratégico do governo, o secretário tem o dever moral de exigir uma investigação rigorosa sobre a origem desse vídeo de IA; do contrário, seu silêncio será interpretado como assinatura embaixo da baixaria. Afinal, quando o roteiro de um ataque apócrifo copia fielmente o discurso do chefe atual, a pergunta que fica no ar de Cuiabá não é mais “quem será o próximo alvo”, mas sim por que o paladino da ética não move um dedo para mandar investigar o comitê que opera, aparentemente, pode estar debaixo do seu próprio nariz.


