A onça-pintada Medrosa, que foi flagrada atacando um jacaré no Pantanal, está com um filhote de 1 ano e costuma caçar, em média, três jacarés por semana, segundo o biólogo e guia de turismo João Marcelo Rocha Biagini.
O registro foi feito na região do Rio Três Irmãos, no Parque Estadual Encontro das Águas, entre Poconé e Barão de Melgaço, a 104 e 121 km, respectivamente, de Cuiabá.
Aos 9 anos e pesando aproximadamente 90 quilos, Medrosa se destaca por ser uma das onças mais observadas em ação, especialmente durante ataques a jacarés no Pantanal, como foi o caso no Parque Estadual Encontro das Águas.
🍖Estratégia de caça e alimentação
Além da força e da agilidade características da espécie, Medrosa também se destaca pela inteligência ao caçar. Segundo o biólogo, ela tem o hábito de subir em árvores não apenas para descansar, mas como parte de uma estratégia sofisticada de ataque. Ao se posicionar em galhos próximos às margens dos rios, a onça consegue observar o movimento dos jacarés e surpreendê-los com um salto preciso e fatal, aproveitando o fator surpresa.
De acordo com João Marcelo, essa tática não é comum entre todos os felinos e Medrosa é uma das onças que mais utiliza a estratégia de subir em árvores para caçar com mais precisão.
“Ela utiliza a árvore para descansar também. É uma das onças que a gente mais vê em cima de árvore e, além disso, usa bem a árvore para poder caçar o jacaré.”
Como está acompanhada de um filhote, Medrosa precisa caçar por dois. Além dos jacarés, ela também preda outros animais, como capivaras, preás e veados, e chega a subir em árvores em busca de ovos de pássaros.
“A gente conhece mais de 85 espécies que ela pode caçar, muitos animais fazem parte da alimentação dela. Um jacaré de 30 quilos costuma durar em média dois a três dias para ela, que está com filhote”, informou.
🐆A linhagem de Medrosa
Além de ser uma das onças-pintadas mais ativas e visíveis do Parque Estadual Encontro das Águas, Medrosa também é parte de uma linhagem conhecida pelos pesquisadores e guias de turismo que atuam na região. Filha de Patrícia, uma das fêmeas mais registradas na área, Medrosa segue os mesmos passos da mãe ao se destacar pela habilidade de caça e pela frequência com que aparece nas margens dos rios.
Medrosa também gerou descendentes marcantes, como Marcela, sua filhote de uma das gestações anteriores, que também é frequentemente avistada na área. A árvore genealógica dessas três fêmeas – Patrícia, Medrosa e Marcela – reforça a importância da linhagem para o ecossistema local e para o monitoramento das espécies.
Atualmente, Medrosa está com um filhote chamado Pantaneiro, nascido em 2024. Por conta disso, ela evita ao máximo o contato com machos adultos, comportamento comum entre as onças fêmeas que buscam proteger os filhotes. Segundo Biagini, Medrosa já teve quatro gestações confirmadas desde 2020. Em uma delas, perdeu o filhote Aime, morto por um macho forasteiro.
Veja abaixo os filhotes nascidos até agora:
- Luca – 2020 (não sobreviveu)
- Marcela/Rio – 2021 (vivos)
- Aime – 2023 (morto por um macho)
- Pantaneiro – 2024 (filhote atual, vivo)
O biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino registrou o momento exato em que a onça-pintada Medrosa ataca um jacaré, em meio ao Parque Estadual Encontro das Águas, entre Poconé e Barão de Melgaço, no Pantanal mato-grossense.
O felino está em cima de uma árvore e observa pacientemente o réptil se aproximar.
Logo em seguida, a onça salta em direção ao rio e mergulha para iniciar o ataque. O vídeo mostra os dois animais em uma intensa disputa dentro da água. Apesar da investida da onça, o jacaré conseguiu escapar.


