O deputado estadual Sebastião Rezende foi convidado a se retirar da federação União Progressista, formada pelos partidos União Brasil e Progressistas (PP), em um movimento que provocou forte repercussão nos bastidores da política de Mato Grosso.
O convite teria partido do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil e pré-candidato ao Senado Federal. A justificativa apresentada seria a necessidade de abrir espaço na federação para parlamentares que deixaram recentemente o Partido Renovação Democrática (PRD), que estariam politicamente desamparados após deixarem a sigla.
A movimentação foi interpretada por aliados do deputado como um gesto de ingratidão política. Segundo interlocutores próximos a Rezende, o parlamentar teria sido utilizado politicamente nas últimas eleições, quando havia a expectativa de que ele obtivesse entre 15 mil e 18 mil votos apenas para compor chapa e fortalecer o grupo político. O resultado nas urnas, no entanto, demonstrou uma força eleitoral maior do que a prevista.
Nos bastidores, aliados classificam a atitude como um ato covarde, lembrando que, no primeiro ano do primeiro mandato de Mauro Mendes, o deputado Sebastião Rezende esteve entre os parlamentares que deram sustentação política ao Executivo estadual.
Naquele momento, quando o governo buscava aprovar medidas consideradas essenciais para reorganizar as contas públicas e recolocar o Estado no caminho do crescimento, Rezende esteve ao lado do governador votando projetos importantes e defendendo matérias estratégicas para Mato Grosso.
Durante os dois mandatos de Mauro Mendes à frente do governo estadual, o deputado Sebastião Rezende manteve postura de apoio ao Executivo, acompanhando a base governista em votações estratégicas e participando das articulações que garantiram governabilidade ao Estado.
Mesmo diante da pressão para deixar a federação, Rezende decidiu permanecer na sigla. Nos bastidores, a permanência do parlamentar teria sido garantida após uma articulação política liderada pelo vice-governador Otaviano Pivetta.
De acordo com fontes políticas, Pivetta atuou diretamente para barrar a saída do deputado, avaliando que a federação não poderia perder a base eleitoral representada por Rezende, especialmente entre os fiéis da Assembleia de Deus. A denominação evangélica reúne mais de 300 mil membros em Mato Grosso, o que representa cerca de 10% do eleitorado evangélico com influência direta nas urnas.
Além do respaldo de Otaviano Pivetta, o deputado também conta com apoio de lideranças influentes dentro do União Brasil, como os senadores Jayme Campos e Júlio Campos, que também defenderam sua permanência na legenda.
Com o impasse político exposto, Sebastião Rezende segue no União Brasil e permanece como uma das lideranças com forte influência junto ao segmento evangélico no estado, fator que pode ter peso decisivo nas articulações políticas para as próximas eleições em Mato Grosso.


