A coerência é uma virtude rara na política — e parece passar longe do comportamento recente de Mauro Mendes. Sempre pronto a criticar leis “frouxas” e decisões judiciais que beneficiam criminosos, o governador tem adotado um curioso silêncio quando o beneficiado é alguém do seu círculo. Foi assim com Nilton Borgato, seu ex-secretário, preso em 2022 por envolvimento em tráfico internacional de drogas e solto meses depois com tornozeleira, fiança e prisão domiciliar.
Desde a soltura de Borgato, nenhuma palavra de Mauro Mendes. Nenhuma crítica à Justiça, nenhuma indignação moral, nenhuma cobrança por rigor. A mesma voz que costuma soar firme contra adversários e suspeitos em geral se cala completamente diante de um ex-integrante de seu próprio governo. Para aliados, parece valer outra régua — ou nenhuma.
O silêncio do governador escancara uma contradição incômoda: as leis que ele tanto condena serviram para libertar seu ex-secretário, mas, nesse caso, Mendes não se incomodou. A postura seletiva enfraquece seu discurso de combate à impunidade e expõe um jogo de conveniências que a população não pode aceitar calada.
Governador, o povo de Mato Grosso quer saber: por que o senhor não se manifesta sobre a liberdade concedida ao seu ex-secretário acusado de tráfico internacional de drogas? O silêncio também comunica. E, nesse caso, diz muito.


