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Enquanto o Pantanal afunda e a Chapada sangra, empresário garimpeiro ostenta avião de R$ 140 milhões

Enquanto os rios de Poconé e Nossa Senhora do Livramento agonizam sob o peso da contaminação por mercúrio e as crateras abertas por garimpos ilegais avançam sobre áreas frágeis do Pantanal, o empresário Valdinei Mauro de Souza — o “Nei Garimpeiro” — ocupa as manchetes celebrando a compra de um jato de luxo de R$ 140 milhões. A aquisição, vendida como um feito de empreendedorismo, escancara uma contradição revoltante: o enriquecimento gerado às custas da devastação de santuários ambientais que pertencem a todos.

Nei Garimpeiro tem atuação notória nos garimpos de Poconé, Livramento e, como também , no polêmico garimpo Casa de Pedra, que avança sobre o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Aos poucos, este verdadeiro patrimônio natural — um dos maiores cartões-postais de Mato Grosso e do Brasil — vai sendo corroído por uma mineração predatória, que abre feridas irreversíveis na paisagem, nascentes e ecossistemas. No Pantanal, a contaminação dos rios por metais pesados como o mercúrio compromete a saúde de comunidades e de uma biodiversidade sem paralelo. E, como se não bastasse, a recente aprovação de uma lei que flexibiliza a reserva legal em Poconé, Livramento e todo Mato Grosso amplia o tapete vermelho para esta destruição.

É escandaloso que, em meio a tamanha tragédia socioambiental, um empresário vinculado a tal setor escolha ostentar sua fortuna em páginas de luxo, em vez de prestar contas à sociedade e ao meio ambiente. O jato reluz nos céus, mas na terra e nas águas do Pantanal e da Chapada boia o rastro tóxico de um modelo de exploração que parece não conhecer limites — nem vergonha.

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