Durante o lançamento do Programa Solo Vivo, no Assentamento Santo Antônio da Fartura, em Campo Verde, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, fez um discurso firme que deixou o governador Mauro Mendes visivelmente desconcertado. Diante de assentados, lideranças e imprensa, Mercadante escancarou aquilo que há tempos é abafado no estado: as principais obras de infraestrutura rodoviária de Mato Grosso — como a BR-163, MT-100, MT-130 e MT-246 — só estão saindo do papel graças aos recursos do governo Lula, viabilizados pelo BNDES. “Nós estamos em todas essas estradas”, cravou Mercadante, desmontando o discurso apropriador do governo estadual.
A fala do presidente do BNDES foi recebida como um sopro de verdade em meio ao silêncio conveniente da propaganda estadual. Até hoje, Mauro Mendes jamais reconheceu publicamente que essas obras são fruto de parcerias federais, fingindo que saem exclusivamente do esforço do Palácio Paiaguás. Mercadante quebrou o protocolo ao citar valores, impactos e a atuação técnica do banco nas soluções que, segundo ele, “ninguém conseguiu fazer no governo anterior”. Mais do que um discurso técnico, foi um ato de transparência com o povo de Mato Grosso.
Para muitos presentes, o constrangimento do governador foi nítido. A face fechada, a cor avermelhada e o semblante travado revelavam mais do que desconforto: mostravam que a verdade, quando dita sem filtro, tem poder. E o mais simbólico: ao final do discurso, Mercadante reforçou que o BNDES não faz política de palanque, mas de Estado. Um recado duro a Mauro Mendes e um alívio aos que ainda acreditam que o povo tem o direito de saber de onde vem cada centavo das obras que mudam sua vida.


