O empresário Maurício Camisotti, apontado pela Polícia Federal como o líder do esquema de fraudes em descontos do INSS, oficializou um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Sem Desconto. O caso ganha forte repercussão política devido aos registros de eventos sociais que Camisotti promovia, como o seu aniversário em um luxuoso resort em Santa Catarina, ocasião em que o ex-governador Mauro Mendes esteve presente entre os convidados, acompanhado de autoridades como Cidinho Santos, conforme noticiado pelo Blog do Popó. Além da proximidade social, o nome de Mendes foi citado em depoimento à CPMI do INSS pelo advogado Eli Cohen — fato também divulgado pelo portal PNBonline —, que detalhou investigações sobre o suporte político de figuras públicas que frequentavam eventos ligados ao grupo empresarial de Camisotti, hoje considerado o chefe da organização criminosa.
A homologação do acordo de colaboração está sob a análise do ministro André Mendonça, do STF, e marca um passo decisivo nas investigações sobre as cobranças indevidas que geraram prejuízos bilionários a aposentados. Em explicações anteriores à imprensa, aliados do ex-governador pontuaram que a participação no evento em Florianópolis ocorreu em um contexto de debate entre líderes e empresários, com despesas custeadas pelo próprio bolso, e o relatório da CPI não incluiu Mendes na lista de pedidos de prisão. Com a delação, Camisotti busca o benefício da prisão domiciliar, enquanto se compromete a entregar todos os envolvidos no escândalo, transformando a presença de autoridades em suas festas de luxo em um dado central para entender a rede de influência da suposta organização.


