O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a reunir apoiadores na Avenida Paulista, neste domingo(29), com discurso marcado por religiosidade, vitimismo político e confronto direto ao Supremo Tribunal Federal. Sob gritos de “mito” e faixas que pediam direção política, Bolsonaro afirmou que sua eleição em 2018 foi um “milagre de Deus” e declarou que seus adversários “podem ter muita coisa ao seu lado, mas não têm Deus, nem a verdade, nem o povo brasileiro”.
Sem citar nomes, Bolsonaro insinuou perseguição e reforçou a narrativa de que está sendo injustiçado pelas instituições. “Quem me acusa pode ter muita coisa ao seu lado, mas nós temos 3 que eles não têm: nós temos Deus, a verdade e grande parte da população brasileira”, disse. O ex-presidente está inelegível por decisão do TSE e é investigado em várias frentes, incluindo tentativa de golpe e envolvimento em tramas para desacreditar o processo eleitoral.
Diante de um trio elétrico e apoiadores vestidos de verde e amarelo, Bolsonaro sugeriu que poderia liderar novamente um movimento político de massa. “Vi agora há pouco aqui uma faixa: ‘Diga-nos o que fazer’. No final eu falarei”, provocou, em tom messiânico, deixando no ar a ideia de que prepara uma reação política contra as decisões judiciais que o afastaram das urnas.
O evento também teve críticas indiretas ao ministro Alexandre de Moraes e ao STF, embora Bolsonaro tenha se resguardado de ataques frontais. A estratégia parece ser a de manter acesa a indignação de sua base sem incorrer em novas acusações de incitação ao caos. No entanto, o teor do discurso deixa claro que o ex-presidente tenta recuperar protagonismo político apostando no discurso religioso, na vitimização e no confronto com os poderes da República.


