Com 17 votos, Ilde Taques pode tomar a Câmara e deixar Abílio Brunini refém do Legislativo em Cuiabá

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá já ganhou contornos de virada política contra o prefeito Abílio Brunini. Nos bastidores, o vereador Ilde Taques avança com um bloco que já contabilizaria cerca de 17 votos, número suficiente para garantir maioria entre os 27 parlamentares e assumir o comando da Casa no próximo biênio. A articulação, construída com habilidade, também amplia a influência do deputado estadual Max Russi na capital, consolidando um novo eixo de poder dentro do Legislativo cuiabano.

Enquanto isso, o prefeito Abílio Brunini enfrenta dificuldades para sustentar sua estratégia. A tentativa de viabilizar nomes como Dilemário Alencar ou manter a atual presidente Paula Calil não ganhou força suficiente, evidenciando fragilidade na condução política junto à base. Caso o cenário se confirme, Abílio corre o risco de terminar sua gestão sob um Legislativo independente, ou até adversário, o que pode travar pautas, dificultar aprovações e transformar os dois últimos anos de mandato em um campo permanente de tensão política.

A Falência do Sistema Prisional


O sistema prisional brasileiro enfrenta uma crise estrutural profunda, marcada pela superlotação crônica, precariedade das condições de custódia e incapacidade de cumprir suas finalidades constitucionais. A chamada ―falência das cadeias‖ não se traduz apenas na ausência de vagas, mas na completa ineficiência do modelo punitivo vigente, que viola direitos fundamentais e compromete a segurança pública.
O Brasil possui uma das maiores populações carcerárias do mundo, com número de presos muito superior à capacidade instalada dos estabelecimentos prisionais. Tal cenário resulta em celas insalubres, ausência de condições mínimas de higiene, falta de assistência médica e alimentar adequada, além de favorecer a proliferação de doenças e a violência interna.
A superlotação decorre, em grande medida, do uso excessivo da prisão preventiva, da morosidade do Judiciário e da política criminal baseada no encarceramento em massa, especialmente para crimes sem violência ou grave ameaça.
A Constituição Federal assegura a dignidade da pessoa humana como fundamento da República, bem como garante aos presos o respeito à integridade física e moral. No entanto, a realidade carcerária brasileira afronta diretamente esses princípios básicos.
O Supremo Tribunal Federal já reconheceu, inclusive, o chamado ―estado de coisas inconstitucional‖ do sistema penitenciário, evidenciando que a violação de direitos não é pontual, mas sistêmica e generalizada.
Como se sabe, a pena privativa de liberdade possui, entre suas finalidades, a ressocialização do apenado. Contudo, diante da precariedade das unidades prisionais, tal objetivo torna-se inalcançável. Ao contrário, o ambiente carcerário muitas vezes fortalece organizações criminosas e contribui para a reincidência delitiva.
A ausência de políticas públicas eficazes de educação, trabalho e reintegração social agrava ainda mais o problema, transformando as prisões em verdadeiras ―escolas do crime‖.
A par dessa situação, o sistema prisional do Estado de Mato Grosso enfrenta um cenário crítico que pode ser definido, sem exageros, como um verdadeiro colapso estrutural. Relatórios recentes coordenados pelo ilustre Desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, notadamente do GMF, evidenciam uma realidade alarmante marcada pela superlotação, precariedade estrutural e reiteradas violações de direitos fundamentais.
Um dos principais fatores que evidenciam a falência do sistema é o crescimento exponencial da população prisional. Dados recentes apontam que o Estado abriga cerca de 16 mil presos para uma capacidade de aproximadamente 12,9 mil vagas, operando com 23% acima da capacidade .
O próprio Desembargador Orlando Perri classificou o cenário como ―assustador‖, destacando que o aumento da população carcerária em Mato Grosso foi significativamente superior à média nacional, chegando a 66% de crescimento na última década.
Além disso, há um déficit superior a milhares de vagas, agravando ainda mais a crise estrutural. A superlotação resulta diretamente em condições degradantes de encarceramento. Relatórios apontam situações extremas, nas quais presos são obrigados a dormir no chão ou até mesmo em banheiros, ―com a cabeça no vaso‖, devido à ausência de espaço físico adequado.
Inspeções realizadas recentemente em unidades prisionais não só pela atuação efetiva do GMF, assim como pelo extraordinário trabalho desenvolvido pelo Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento a Tortura em Mato Grosso – CEPET- MT na pessoa da combativa Presidente Ana Claudia, juntamente com a OAB-MT, como amicus curiae em demandas judicializadas, revelaram ainda a falta de acesso à saúde básica, alimentação insuficiente, ausência de higiene mínima, denúncias de tortura e uso de agentes químicos e intervalos superiores há 14 horas entre refeições. Esse cenário lamentavelmente viola frontalmente os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da integridade física e moral dos detentos.
Outro dado alarmante é o elevado número de unidades interditadas (superior a 12) ou em iminente risco de interdição. Segundo os levantamentos, diversas cadeias foram fechadas ou interditadas em razão da incapacidade de suportar o número de detentos, enquanto outras operam em situação totalmente imprevisível.
A própria autoridade judicial responsável pelo monitoramento do sistema reconhece a falência do modelo atual. Em manifestações públicas, recentemente com a posse do novo governador Otaviano Pivetta, Orlando Perri afirmou que a superlotação é reflexo direto da falha estrutural do Estado, evidenciando a necessidade urgente de reformulação da política penal.
Nesse contexto, o sistema prisional deixa de cumprir sua função ressocializadora e passa a atuar como mero depósito humano — fenômeno já amplamente criticado no cenário nacional, especialmente no Estado de Mato Grosso.
Diante desse cenário, é possível afirmar que o sistema prisional de Mato Grosso encontra-se em estado de falência estrutural e funcional. A superlotação, aliada à precariedade das condições carcerárias, revela não apenas uma crise administrativa, mas uma grave violação de direitos humanos.
A solução exige mais do que a criação de vagas: demanda políticas públicas eficazes, investimento em penas alternativas, fortalecimento da execução penal e atuação preventiva no sistema socioeducativo. Sem essas medidas, o sistema continuará reproduzindo violência, desigualdade e reincidência, afastando-se cada vez mais de sua finalidade constitucional de ressocialização.
Há uma enorme expectativa de bom tempo para a construção de um Direito Penal de ultima ratio. A época de abertura política inspira a efetivação de direitos sociais, tornando-se mais realista a possibilidade de humanização das penas.
José Ricardo Costa Marques Corbelino – advogado e vice-presidente da Comissão de Direito Penitenciário, Sistema Prisional e Execução Penal da OAB-MT.

Erro ou manipulação? Pesquisa mostra Pivetta na frente e depois atrás — e deixa dúvida: quem lidera, Wellington ou Pivetta?

A comparação entre os dados de intenção de voto espontânea e estimulada divulgados pelo Instituto Veritá para o governo de Mato Grosso revela uma inconsistência estatística relevante que merece cautela na interpretação. Em termos técnicos, é altamente incomum que um candidato apresente desempenho significativamente superior na pesquisa espontânea (35,4%) — onde o eleitor precisa lembrar o nome sem estímulo — e, ao mesmo tempo, registre queda expressiva na estimulada (24,1%), quando lhe é apresentada uma lista de candidatos. Em modelos clássicos de comportamento eleitoral, a tendência esperada é inversa: candidatos mais conhecidos tendem a crescer ou, no mínimo, estabilizar seus percentuais quando estimulados, não recuar de forma tão acentuada.

Do ponto de vista de análise de dados e ciência política, essa inversão sugere possíveis problemas metodológicos, como viés de amostragem, inconsistência no desenho do questionário ou diferenças na forma de coleta entre os cenários. Soma-se a isso uma hipótese ainda mais sensível: falhas no processo de preparação e tabulação dos dados, como eventual inversão de nomes, erro de codificação ou inconsistência no tratamento das respostas, o que pode contaminar o resultado final. Em auditorias estatísticas, esse tipo de distorção é tratado como indício de “quebra de consistência interna”, exigindo revisão completa da base de dados. Boas práticas recomendadas por instituições como o IBGE e padrões internacionais de pesquisa indicam que discrepâncias dessa natureza precisam ser tecnicamente verificadas antes de qualquer interpretação política, sob risco de conclusões distorcidas.

Mauro Mendes leva dois dribles em 48 horas e vê base escorrer, Barbudo repete Garrincha e “faz que foi, não foi e acabou fondo”

Em menos de dois dias fora do comando do governo, o ex-governador Mauro Mendes já acumula duas derrotas políticas que expõem fragilidade na sua articulação. Primeiro, a destituição do diretório regional do PRD, partido que funcionava como abrigo para nomes de menor densidade eleitoral da base governista, provocou um abalo silencioso, mas significativo, ao desmontar uma peça importante do tabuleiro político montado nos últimos anos. Agora, o segundo revés veio de forma ainda mais simbólica e pública.

Após o próprio Mendes anunciar a filiação do deputado federal Nelson Barbudo ao União Brasil, o parlamentar surgiu no dia seguinte ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, confirmando ida ao Podemos e aplicando um drible digno de manual político. A jogada lembrou a célebre frase de Garrincha, “fiz que fui, não fui e acabei fondo”, numa ironia que, desta vez, teve como marcador o próprio ex-governador. O episódio reforça a percepção de perda de controle sobre aliados e sinaliza que, sem a caneta, a autoridade política de Mendes começa a ser testada — e, ao que tudo indica, já está sendo superada em campo aberto.

PL fecha chapas completas para 2026 com Medeiros ao Senado e Wellington Fagundes ao governo, sob apoio de Flávio Bolsonaro

O PL consolidou sua estratégia para as eleições de 2026 em Mato Grosso com a formação de uma chapa completa e competitiva. O deputado federal José Medeiros desponta como candidato ao Senado com o apoio direto do senador Flávio Bolsonaro, enquanto o senador Wellington Fagundes é o nome do partido para a disputa ao governo do Estado, também alinhado ao mesmo campo político. Além das candidaturas majoritárias, o partido estruturou chapas completas para deputado federal e estadual, reforçando sua presença em todas as frentes da disputa.
Apesar do cenário organizado, há registros de atritos internos entre Medeiros e Wellington Fagundes, o que evidencia divergências dentro da própria base. Ainda assim, o partido conseguiu superar as tensões e montar um grupo considerado robusto para enfrentar o embate eleitoral. A avaliação interna é de que, mesmo com ruídos, o PL entra na disputa com musculatura política, liderança nacional e um palanque consolidado para a eleição deste ano.

Carlos Fávaro deixa Ministério, retorna ao Senado e articula chapa completa do PSD para disputa eleitoral em Mato Grosso

O senador Carlos Fávaro deixa o comando do Ministério da Agricultura nesta semana para reassumir sua cadeira no Senado e entrar de vez na disputa por mais um mandato em Mato Grosso. Nos bastidores, Fávaro consolidou uma articulação política considerada estratégica ao lado do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, do deputado estadual Wilson Santos e da estrutura do PSD, garantindo a formação de uma chapa completa para as eleições deste ano. Nesse processo, uma das principais conquistas políticas do senador foi a filiação do deputado federal Emanuelzinho ao PSD, após deixar o MDB, movimento considerado internamente como um reforço decisivo para o fortalecimento da sigla no estado.

Sem disputas internas ou rupturas públicas, o grupo conseguiu montar, de forma discreta, um palanque competitivo que contempla candidaturas ao governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. A expectativa da sigla é eleger entre três e quatro deputados estaduais e até dois deputados federais, além de sustentar uma candidatura forte ao Senado. A leitura interna é de que a organização antecipada e a ausência de conflitos dão ao grupo uma vantagem estratégica para enfrentar o cenário eleitoral nos próximos meses.

PSB de Pedro Taques pode disputar eleição sem chapas proporcionais e focar apenas na corrida ao Senado

O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, aparece no cenário eleitoral como candidato ao Senado pelo Partido Socialista Brasileiro, mas enfrenta dificuldades na estruturação do próprio partido no estado. Informações apuradas indicam que o PSB não conseguiu viabilizar chapas competitivas para deputado federal e estadual, o que, na prática, deixaria a legenda concentrada exclusivamente no projeto majoritário de Taques.
Até o momento, não há confirmação oficial por parte do ex-governador sobre a composição das chapas, apesar de tentativas de contato. Nos bastidores, a leitura é de que a ausência de nominatas proporcionais pode fragilizar o desempenho eleitoral, já que reduz capilaridade política, tempo de campanha e articulação regional, fatores considerados decisivos em disputas ao Senado.

Pressão de Piveta implode Republicanos: entrada de Sebastião Resende gera confronto interno e ameaça candidaturas

A movimentação política desta quarta-feira elevou ainda mais a tensão nos bastidores partidários em Mato Grosso. Após ter a filiação negada na semana passada, o deputado estadual Sebastião Resende passou a ser aceito no Republicanos por articulação direta do governador Otaviano Piveta, já empossado no cargo. A decisão, no entanto, provocou forte reação dentro da legenda, especialmente do deputado Valmir Moretto, que teria protagonizado um confronto acalorado contra a entrada de Resende, evidenciando o clima de divisão interna e disputa por espaço eleitoral.

A chegada de Sebastião Resende, parlamentar com longa trajetória desde 2002 e forte base eleitoral ligada ao segmento evangélico, aumenta a pressão sobre deputados com menor densidade de votos dentro do partido, como Diego Guimarães, cuja reeleição já era considerada difícil. O episódio escancara a intervenção direta do novo núcleo de poder no redesenho das chapas e pode provocar novas rupturas internas, ao mesmo tempo em que representa mais uma baixa para o União Brasil, que perde um nome competitivo em meio à reorganização do tabuleiro político estadual.

Racha no União Brasil: Botelho deixa reunião irritado, é isolado por grupo de Mauro Mendes e pode migrar para o MDB

O deputado estadual Eduardo Botelho viveu um dos momentos mais delicados de sua trajetória política ao sair visivelmente irritado de uma reunião do União Brasil nesta tarde. Segundo informações de bastidores, Botelho teria sido praticamente convidado a deixar a sigla por lideranças alinhadas ao grupo do ex-governador Mauro Mendes, incluindo articulações atribuídas a Dilmar Dal’Bosco. O movimento sinaliza um rompimento interno profundo e inesperado, atingindo um dos nomes mais tradicionais do partido em Mato Grosso.

Com três mandatos consecutivos e passagens marcantes pela presidência da Assembleia Legislativa, Botelho agora avalia sua saída do União Brasil e negocia possível filiação ao MDB. O episódio expõe uma reconfiguração de forças dentro da sigla, que, ao que tudo indica, não pretende contar com o parlamentar na disputa eleitoral deste ano, abrindo espaço para novos nomes alinhados ao grupo dominante e deixando claro o nível de tensão e disputa interna no partido.

Isolado politicamente, Paulo Araújo enfrenta rejeição em série e risco real de naufrágio eleitoral

A crise política do deputado estadual Paulo Araújo se agravou após a dissolução do diretório estadual do PRD, legenda que surgia como alternativa para sua permanência no cenário eleitoral. Sem espaço no novo arranjo partidário, o parlamentar passou a buscar abrigo em outras siglas, mas encontrou portas fechadas em sequência, inclusive em partidos de menor expressão, como o PRTB. Nos bastidores, a leitura predominante é de que Araújo chega fragilizado ao momento decisivo de definição partidária, com baixa capacidade de articulação e pouca aceitação entre lideranças políticas.

Com apenas dois dias para definir seu futuro eleitoral, o deputado tende a permanecer no PP, hoje federado com o União Brasil, onde enfrentará concorrência interna de nomes com maior densidade eleitoral, como Júlio Campos e Dilmar Dal Bosco. A dificuldade de construir alianças ao longo dos últimos anos é apontada como um dos principais fatores para o isolamento atual, evidenciando um cenário em que sua reeleição se torna cada vez mais incerta diante de um ambiente político pouco receptivo e altamente competitivo.