A indignação cresce entre os cidadãos de Mato Grosso diante da generosa destinação de recursos públicos para eventos de lazer voltados à elite econômica do estado. Em 2024, o deputado estadual Paulo Araújo destinou R$ 1,5 milhão em emenda parlamentar para um encontro de carros antigos realizado no espaço da Bom Futuro, empresa ligada ao império agroindustrial do magnata Eraí Maggi. Já em 2025, o mesmo deputado voltou a contemplar o evento, desta vez com uma emenda ainda maior, de R$ 2,7 milhões, para realização da exposição no Parque Novo Mato Grosso — empreendimento inacabado e construído com verba pública, que se tornou símbolo de exclusão social e segregação urbana.
O Parque Novo Mato Grosso, apelidado de “parque dos bilionários”, foi concebido para ser um espaço público, mas sua localização, estrutura e gestão elitista o transformaram em um verdadeiro enclave de privilégios financiado pelo dinheiro do povo. Enquanto isso, cidades do interior enfrentam a dura realidade da falta de ambulâncias, postos de saúde sem médicos e ausência de políticas públicas mínimas para a população vulnerável. O contraste escancara um apartheid social patrocinado com recursos que deveriam atender às necessidades básicas da maioria.
O deputado Paulo Araújo, em pleno ano pré-eleitoral, terá de enfrentar questionamentos contundentes: por que destinar em 2 anos R$ 4,2 milhões para atender um hobby de colecionadores de carros antigos, enquanto o povo padece à míngua de serviços essenciais? O povo de Mato Grosso está atento — e a memória eleitoral não costuma perdoar prioridades distorcidas. A eleição está chegando, deputado. E, dessa vez, talvez não seja possível acelerar o carro antigo o suficiente para escapar da responsabilidade política.






