Já se passaram quase dois meses desde que o vereador Joelson Fernandes (PSDB), aliado do prefeito Abílio Brunini, foi afastado do cargo por decisão judicial, acusado de ter recebido R$ 280 mil em propina para dividir com outros dois vereadores. Mesmo diante de um escândalo dessa gravidade, que envergonha o Legislativo municipal e fere de morte a confiança do povo cuiabano, o prefeito e seus fiéis escudeiros seguem em constrangedor silêncio. Nenhuma palavra foi dita por Abílio, tampouco pelos vereadores da base Michele Alencar, Paula Calil e Dilemário Alencar. Não há indignação, não há cobrança, não há sequer curiosidade pública sobre quem seria o terceiro beneficiário do esquema criminoso.
A omissão é ainda mais escandalosa quando se observa que o suposto “terceiro vereador” pode estar, neste exato momento, sentado ao lado deles no plenário da Câmara, votando com o governo, protegendo interesses e mantendo a farsa. O prefeito Abílio, que se apresenta como um “caçador de corruptos”, precisa explicar por que não exige a revelação completa dos envolvidos. Michele, Paula e Dilemário devem à sociedade uma postura clara: vão seguir fingindo que nada aconteceu ou vão ajudar a limpar a lama que respinga diretamente na base do governo? O silêncio, neste caso, é mais do que omissão — é cumplicidade?


