Em tom grave, Popó e Wagner levantaram uma hipótese inquietante durante a entrevista: a de que o não pagamento da RGA (Revisão Geral Anual) e a recusa sistemática do governo em corrigir salários dos servidores pode ter sido uma manobra pensada para empurrar os trabalhadores ao endividamento. Acumulando perdas inflacionárias de cerca de 20%, milhares de servidores se viram forçados a recorrer a linhas de crédito com juros altíssimos — especialmente os chamados cartões benefício e cartões consignados, que se proliferaram após mudanças legais promovidas pelo Executivo. “Parece uma maldade calculada”, disse Popó, sugerindo que a crise salarial foi usada como gatilho para empurrar servidores a contratos que geraram lucros milionários a bancos ligados a empresários com conexões no poder. Wagner evitou afirmar categoricamente a intencionalidade, mas admitiu que o encadeamento dos fatos levanta suspeitas perturbadoras. “Se foi planejado ou não, o resultado é o mesmo: servidores escravizados e rentistas enriquecendo.”


