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O governador Mauro Mendes tentou, no desespero de defender o indefensável, comparar a construção da Arena Pantanal com o famigerado Parque Novo Mato Grosso — ou como o povo batizou, com ironia certeira, o Parque dos Bilionários. Mas a comparação virou motivo de riso e indignação. Primeiro porque a Arena Pantanal foi construída com dinheiro federal, para sediar a Copa do Mundo de 2014, com o propósito de servir ao esporte mais popular do Brasil: o futebol. Um espaço que já recebeu Seleção Brasileira, Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, times da Série A e B, e que continua sendo usado pelo povo sem precisar de truques, ingressos distribuídos ou plateias fabricadas. O público da Arena é espontâneo, legítimo e apaixonado.
Já o Parque dos Bilionários nasceu com DNA de privilégio. Custando mais de R$ 120 milhões apenas o kartódromo e com projeções que beiram R$ 3 bilhões no total, o parque foi construído 100% com o dinheiro do povo de Mato Grosso, mas destinado a poucos. O governo, sem vergonha alguma, entregou a administração para dois barões da soja, transformando o que deveria ser um espaço público em um condomínio de luxo com dinheiro alheio. E o mais revoltante: Mauro Mendes quer que o cidadão acredite que essa obra é comparável à Arena Pantanal — símbolo de esporte popular, cultura e pertencimento. É como comparar uma pelada na várzea com um camarote milionário à beira da pista.
A tentativa de maquiagem contábil também virou piada. O governador insiste que o Parque custará menos que a Arena, quando os próprios números oficiais já indicam o contrário. E mais: o parque segue sem transparência, com contratos nebulosos, aditivos escondidos e gastos que ninguém sabe explicar direito. O que se sabe é que o povo paga e os bilionários administram.
Enquanto Mauro Mendes posa de gestor eficiente, Mato Grosso amarga recordes nacionais de feminicídio, violência crescente, bairros dominados por facções e serviços públicos desmantelados. O Estado que ele governa está em frangalhos, mas o governador prefere gastar bilhões em um parque para que os ricos brinquem de corrida, enquanto as mulheres continuam morrendo e as famílias seguem abandonadas.
O Parque dos Bilionários virou o símbolo do apartheid social de Mato Grosso: um governo que governa para os de cima e ignora os de baixo. O governador pode até se esforçar para posar ao lado de pilotos, bilionários e empresários, mas o povo já entendeu o recado — o parque é deles, a conta é nossa. E a história vai lembrar: enquanto o povo pedia segurança, escola e saúde, Mauro Mendes construiu uma pista de corrida para os bilionários se divertirem com o dinheiro público.
Popó Pinheiro
Jornalista e Gestor Público


