Em um Brasil onde servidores públicos de alta patente já desfrutam dos melhores salários da República, Hugo Fellipe Martins de Lima, procurador da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso, parece ter decidido que o topo do serviço público não era suficiente. Em apenas seis anos, Hugo Fellipe protagonizou uma verdadeira odisséia empresarial, multiplicando suas atividades em setores tão diversos quanto construção civil, tecnologia, advocacia, energia e agropecuária — e, em boa companhia: é sócio nada menos que de Lucimara Polisel, esposa do Secretário de Fazenda e fiel escudeiro do governador Mauro Mendes, o poderoso Rogério Gallo.
De acordo com registros públicos, o capital social de suas empresas já soma cifras que impressionariam até os mais antigos oligarcas mato-grossenses: Capital Construções Ltda (R$ 200.000,00), Turn Tax Serviços de Tecnologia Ltda (R$ 50.000,00), Sociedade de Advogados (R$ 25.000,00), Guatá Energia Ltda (com participação numa Pequena Central Hidrelétrica de mais de 2 megawatts, empreendimento estimado em R$ 50 milhões, embora seu capital social seja de “modestos” R$ 100.000,00) e agora a recente Agro Pastoril Maringá Ltda, com um respeitável capital inicial de um milhão e quinhentos mil reais. A soma de seus capitais sociais atinge um milhão, oitocentos e setenta e cinco mil reais — tudo oficialmente registrado e declarado, claro.
Com tanto talento para os negócios, seria injusto limitar o brilhantismo de Hugo Fellipe apenas às peças jurídicas. Ele agora transita com desenvoltura entre os grandes salões do agronegócio, os corredores da energia limpa e os bastidores da construção civil. Um verdadeiro fenômeno de ascensão meteórica, para quem a advocacia pública parece ter sido apenas a plataforma de lançamento para voos empresariais de rara intensidade — sempre orbitando a alta elite do poder estadual.
Enquanto o servidor público médio luta para sobreviver às perdas inflacionárias e aos ataques aos seus direitos, em Mato Grosso floresce uma nova geração de “servidores empresários”, capitaneada por figuras como Hugo Fellipe, que mostram que, na terra de Mauro Mendes, o céu não é o limite — é apenas o começo.


