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Em 30 dias, Abílio briga com todo mundo: ex-secretária, professora, vice e até PM

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O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, transformou a política municipal num roteiro tragicômico que, se não fosse com dinheiro público e o destino da cidade, poderia ser só entretenimento barato. A briga pública com a vice-prefeita Vânia Rosa, que começou na sexta-feira no sétimo andar do Palácio Alencastro e terminou no sábado com a Polícia Militar na sede da Semob, é a síntese perfeita de um gestor que confunde redes sociais com administração e que ainda não entendeu que governar é muito mais que produzir vídeos para alimentar seu personagem.

Nos últimos 30 dias, Abílio colecionou crises dignas de um reality show político: brigou com a ex-secretária de Saúde que ele próprio demitiu; expulsou uma professora de uma palestra por usar pronome neutro; comprou uma briga pública com a vice-prefeita — que terminou em porta batida, PM acionada e Boletim de Ocorrência; e, como se não bastasse, partiu agora para cima do policial que registrou o fato, acusando-o de agir para agradar terceiros e prometendo levá-lo à Corregedoria.

A fala contra o PM, que apenas cumpriu seu dever, teve efeito imediato: revoltou policiais, gerou repúdio nas redes e ampliou a percepção de que o prefeito não tem equilíbrio emocional para lidar com crises. O homem que se vendia como “diferente de tudo que está aí” mostra-se cada vez mais igual — ou pior. O abismo entre o candidato combativo das redes sociais e o prefeito na vida real é gritante, e começa a ficar claro até para seus eleitores mais fiéis que a promessa de mudança virou um pacote de improvisos, brigas e constrangimentos públicos.

Enquanto Cuiabá precisa de soluções para mobilidade, saúde e segurança, o prefeito dedica energia e tempo para alimentar disputas pessoais. A Secretaria de Comunicação, fraca e desorganizada, assiste à crise sem conseguir amenizá-la, errando até na linha do tempo dos fatos e permitindo que as redes sociais transformem Abílio em alvo diário de memes e críticas. Em vez de sair fortalecido, o prefeito se afunda a cada postagem, revelando que o personagem das lives não sobrevive à realidade dura do gabinete.

A piada pronta está deixando de ter graça. O que antes podia ser visto como “estilo” agora soa como desespero, improviso e falta de preparo. Cuiabá merece mais que um prefeito que se comporta como influencer em crise. O povo começa a se sentir enganado — e quando esse sentimento se espalha, não há marketing, ameaça ou vídeo que segure a queda.

Popó Pinheiro
Gestor Publico e Jornalista

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