O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira, parece ter dificuldade em aplicar na própria gestão os critérios de “moralidade e eficiência” que costuma cobrar da prefeita Flávia Moretti. Enquanto ataca a chefe do Executivo por aderir a atas de registro de preços — chamando a prática de “preguiça administrativa” — os dados oficiais da própria Câmara revelam que 25% dos processos licitatórios conduzidos sob seu comando também foram adesões de ata (3 em um total de 12 procedimentos neste ano) .
Além disso, metade de todas as licitações da Casa (6 de 12) foram feitas por dispensa de licitação, mecanismo que deveria ser usado apenas em casos excepcionais, conforme a Lei nº 14.133/2021. Isso significa que 75% dos contratos firmados pela Câmara em 2025 ocorreram sem processo competitivo tradicional, por adesão ou dispensa — um percentual que contradiz frontalmente o discurso de transparência e rigor administrativo que o presidente adota publicamente.
As dispensas da gestão Wanderley incluem desde o fornecimento de água mineral e café até locação de equipamentos de informática e softwares, somando dezenas de milhares de reais. Já as adesões de ata envolveram combustível, material de expediente e serviços de mão de obra continuada, sem qualquer licitação própria.
Enquanto o presidente da Câmara critica a prefeita por “copiar atas de outros órgãos”, a própria Câmara faz exatamente o mesmo — copiando registros de preços de prefeituras e consórcios municipais. A diferença é que, no caso de Wanderley Cerqueira, a incoerência é pública e documentada. A transparência que ele exige da prefeita Flávia Moretti começa a faltar dentro da própria Casa que comanda.


