Nos bastidores do Palácio Paiaguás, o jogo de poder nunca foi tão explícito. A primeira-dama Virgínia Mendes, figura central e temida da engrenagem política que sustenta o governo Mauro Mendes, já tem um novo alvo: a cobiçada vaga de desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso destinada à Ordem dos Advogados do Brasil, pelo quinto constitucional. A preferência é pela Procuradora do Estado Fabíola Garcia Cardoso, irmã do Secretário Chefe da Casa Civil Fabinho Garcia, braço direito — e esquerdo — do governador. Caso Fabíola decline, a alternativa imediata é o marido dela, o advogado Osvaldo Cardoso. A movimentação escancara o desejo da primeira-dama de ampliar ainda mais sua influência no Judiciário, território onde até agora tem avançado com passos firmes.
Conhecida por sua postura autoritária, vaidade acentuada e um estilo de comando que impõe medo a aliados e subordinados, Virgínia Mendes não faz questão de esconder quem realmente manda no governo. O próprio Mauro Mendes, cada vez mais opaco diante da força política da esposa, parece apenas homologar decisões já tomadas. A articulação em torno da vaga da OAB é mais uma demonstração de que o projeto de poder do grupo político que orbita em torno da primeira-dama não se contenta com o Executivo. E, neste cenário, quem ousa resistir, logo entende que o custo do confronto é alto demais.


