A coronel da reserva Vânia Rosa encerrou sua trajetória ativa na Polícia Militar de Mato Grosso após 25 anos de serviço ao povo mato-grossense. Católica e devota de Nossa Senhora Aparecida, ela passou para a reserva no mesmo dia em que milhões de brasileiros celebram sua fé. Por isso, chama atenção o silêncio da vice-prefeita de Cuiabá diante das atitudes reiteradas de desrespeito do prefeito Abílio Brunini às tradições religiosas que marcam a identidade cultural da capital.
Ao negar o ponto facultativo da Quinta-feira Santa e abolir a tradicional distribuição do Peixe Santo, Abílio não atacou apenas costumes, mas feriu o sentimento religioso de uma população majoritariamente cristã. A omissão de Vânia, até agora, é dolorosa. Não se trata de uma polêmica política qualquer, mas de defender o direito das pessoas a viverem sua fé com liberdade e dignidade. Para alguém que jurou proteger a sociedade — tanto na farda quanto na política — defender o povo é também defender suas crenças, símbolos e tradições espirituais.
Hoje, muitos enxergam em Vânia Rosa mais preparo, equilíbrio e sensatez para liderar Cuiabá do que no próprio prefeito. E talvez por isso, seus gestos e palavras sejam acompanhados com atenção crescente. A cidade espera dela não apenas firmeza no gesto, mas coragem na palavra. Calar-se diante da intolerância institucionalizada é pactuar com a sua permanência. Espera-se que a vice-prefeita, que já foi símbolo de ordem na segurança pública, seja também agora uma voz firme na defesa da liberdade religiosa e da cultura cuiabana. Afinal, fé que se cala quando atacada corre o risco de virar ornamento.


