O Governo de Mato Grosso autorizou o pagamento de R$ 1,5 milhão para a realização de um show do cantor Gusttavo Lima no Parque Novo Mato Grosso, conforme o Contrato nº 061/2025/SECEL, publicado no Diário Oficial do Estado. A contratação, realizada por inexigibilidade de licitação, com base na Lei nº 14.133/2021, é formalmente legal, mas politicamente reveladora: o evento integra a estratégia do governo Mauro Mendes de tentar demonstrar a utilidade de um empreendimento que já caminha para ultrapassar R$ 2 bilhões em recursos públicos para ser concluído.
Conhecido como “Parque dos Bilionários”, o complexo tornou-se símbolo do apartheid social em Mato Grosso. Localizado em área distante, pouco acessível e desconectada da dinâmica urbana, o parque só recebe grandes eventos quando o próprio Estado banca atrações, estrutura e logística. Sem dinheiro público, não há interesse privado. A tentativa de legitimação por meio de shows milionários apenas revela a dependência permanente do erário e reforça o desperdício, especialmente quando eventos desse porte poderiam ser realizados na Arena Pantanal, estrutura já existente, central e com custo muito menor para o contribuinte.
Cada novo evento pago pelo Estado não comprova sucesso do projeto — confirma sua inviabilidade sem subsídios públicos. Em um estado marcado por profundas desigualdades sociais e carências em áreas como saúde, assistência e habitação, a insistência em despejar bilhões em um megacomplexo voltado às elites econômicas evidencia uma escolha política clara: priorizar vitrines e espetáculos enquanto as necessidades básicas da população seguem em segundo plano.


