Parte 2
Em tom de ameaça e vaidade política, o secretário da Casa Civil, Fabinho Garcia — famoso por harmonizar rosto e cabelo, mas desarmonizar com os demais poderes — soltou uma pérola autoritária ao tentar barrar o reajuste dos servidores do Judiciário. Segundo o secretário “estiloso”, “o dinheiro é do povo e não do Judiciário”, como se servidores públicos — muitos deles concursados, que dedicam décadas ao Estado — não fossem parte do povo. E dizem que: se a Assembléia aprovar o reajuste, o governador Mauro Mendes vai vetar. O recado foi claro: ou o Judiciário abaixa a cabeça, ou o governo parte para o confronto.
Enquanto isso, o mesmo governo que diz “defender o dinheiro do povo” libera bilhões para obras de luxo no Parque Novo Mato Grosso — o “Parque dos Bilionários” — constrói roda-gigante milionária, banca festas e eventos com cifras astronômicas e distribui cargos e benesses a aliados políticos. Mas quando o assunto é valorizar trabalhadores do Judiciário que carregam o Estado nas costas, o governo vira o paladino da economia. Na prática, Mauro Mendes e seu secretário mostram que o combate aos gastos só vale para servidor — para os ricos e amigos do poder, o caixa do povo continua aberto, como um parque de diversões financiado com o suor de quem trabalha.


