O furto cinematográfico de uma aeronave modelo Baron 58, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (12), no hangar do aeroporto municipal de Juína (735 km de Cuiabá), evidencia de forma alarmante a falência do sistema de segurança pública em Mato Grosso. A ousadia do crime – subtrair um avião inteiro durante a madrugada – retrata não apenas a audácia de criminosos cada vez mais organizados, mas a completa ausência de estratégia preventiva do Estado. Segundo o boletim de ocorrência, o proprietário do avião, Jorge Antônio Pires de Miranda Junior, de 43 anos, foi avisado pelo piloto, por volta das 4h, de que a aeronave não se encontrava mais no local. A Polícia Civil investiga o caso como crime contra o patrimônio.
O episódio ganha contornos ainda mais graves por ter ocorrido em um município situado em faixa sensível, próximo à fronteira com a Bolívia. Justamente por essa localização estratégica, Juína exige atenção especial das forças de segurança, com atuação articulada e reforçada – o que, claramente, inexiste. O governo do Estado, que alardeia o fracassado programa “Tolerância Zero” como resposta à escalada da violência, revela-se incapaz de conter nem mesmo o roubo de aeronaves em solo mato-grossense. Os índices de criminalidade sobem, o crime organizado avança, e a sociedade, perplexa, observa um governo desnorteado e inoperante.


