A presença da primeira-dama de Mato Grosso, Virgínia Mendes, como administradora de uma das empresas integrantes do Consórcio Centro Oeste — o mesmo consórcio que reúne a empreiteira Encomind, com o Grupo Guaxe — acende um alerta grave sobre conflitos de interesse, favorecimento e sobreposição de funções entre o público e o privado no coração do Palácio Paiaguás. Documentos da Receita Federal comprovam que a Bimetal Indústria Metalúrgica, da qual Virgínia é administradora, integra como sócia consorciada o grupo empresarial que, atualmente, detém obras milionárias no estado, incluindo contratos no polêmico BRT.
Não bastasse o vínculo societário da esposa do governador com um consórcio ativo, o mesmo aglomerado empresarial divide protagonismo com a Encomind Engenharia Ltda — uma das construtoras mais aquinhoadas em contratos de infraestrutura no governo Mauro Mendes, ora individualmente, ora em parceria com outras empreiteiras. A Encomind/Gauxe, inclusive, é uma das responsáveis pela execução de trechos do sistema BRT em Cuiabá e Várzea Grande, licitação promovida justamente pela gestão do marido da empresária.
O caso beira o surreal: a primeira-dama que, por vezes, despacha com secretários de Estado, conforme registra abertamente nas redes sociais, aparece como gestora de uma empresa que lucra com contratos potencialmente favorecidos pelo próprio governo estadual. Trata-se de uma simbiose delicadíssima entre o poder político e o capital privado que exige, no mínimo, investigação rigorosa dos órgãos de controle. Afinal, quando a cadeira do Executivo e o balcão de negócios dividem a mesma casa, quem separa o interesse público do interesse pessoal?






