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Prefeitura reduz multas da Águas Cuiabá por buracos no asfalto; penalidades caem de R$ 1,4 mil para R$ 700

Abilio Brunini (PL) reduziu em 50% o valor de multas aplicadas à concessionária Águas Cuiabá por deixar trechos de asfalto mal recompostos após intervenções na rede de água e esgoto. As decisões constam na Gazeta Municipal da última semana, em julgamentos do Conselho Municipal de Meio Ambiente. Nos dois casos publicados, as multas originais, cada uma no valor de R$ 1.400,86, foram reduzidas para R$ 700,43. Os autos de infração descreviam a situação já conhecida pelos moradores: a empresa abria valas em vias públicas, realizava o reparo da tubulação e deixava o pavimento remendado, irregular, afundando ou desagregando dias depois.

A população cuiabana convive há anos com esse problema. Buracos reincidentes, ruas remendadas e vias que deterioram rapidamente após intervenções da concessionária tornaram-se parte do cotidiano da cidade. Moradores reclamam de prejuízos a veículos, dificuldade de mobilidade e deterioração acelerada de bairros inteiros. A Prefeitura, em vez de endurecer a fiscalização, optou por reduzir as penalidades aplicadas à empresa responsável por grande parte dessas intervenções.

Causa estranhamento o movimento político, especialmente porque o prefeito Abilio construiu sua imagem pública sustentando um discurso de rigor, enfrentamento e defesa da cidade contra práticas abusivas de concessionárias. Agora, o mesmo gestor que sempre proclamou firmeza adota postura de complacência com a empresa que protagoniza uma das maiores queixas urbanas da população.

A decisão de abrandar as multas não apenas tem efeito financeiro para a concessionária, como também transmite uma mensagem simbólica: enquanto o cidadão paga IPTU, paga manutenção do próprio veículo e convive com o asfalto esfarelado diante de casa, a empresa responsável por parte do problema recebe tratamento mais brando do poder público.

A Prefeitura não explicou por que optou pela redução das multas nem apresentou plano de fiscalização mais rígido para garantir a recomposição adequada do pavimento. Tampouco respondeu à pergunta central que se impõe: por qual motivo o interesse da população — que circula todos os dias por essas vias — não prevalece sobre o benefício concedido à concessionária?

Enquanto isso, os buracos permanecem. E a conta, mais uma vez, fica com a cidade.

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