A charge que circulou nas redes sociais foi cirúrgica ao sintetizar, em poucos traços, um diagnóstico político que muitos evitam dizer em voz alta. Ao retratar o prefeito Abílio Brunini como um menino de camisa cinza, boné com hélice e puxando um carrinho de brinquedo, com a frase “eu só queria me divertir”, a ilustração escancara a percepção crescente de uma gestão marcada pela imaturidade, pela impulsividade e pela ausência de preparo técnico e emocional para comandar a capital. A charge não ataca a pessoa; denuncia o comportamento — e o contraste entre a gravidade dos problemas de Cuiabá e a postura infantilizada de quem deveria governar.
Enquanto a cidade agoniza com buracos, alagamentos, serviços precários e desorganização administrativa, o prefeito parece tratar o cargo como palco, não como responsabilidade. A crítica visual resume o sentimento de parte significativa da população: Cuiabá não precisa de um gestor que “quer se divertir”, mas de alguém com equilíbrio, seriedade e compromisso com o interesse público. O resultado dessa confusão entre poder e performance é pago diariamente pelo cidadão comum.
O mérito da obra é do chargista Djamil, que demonstra sensibilidade artística e coragem política ao transformar indignação coletiva em sátira de alto impacto. Com inteligência e ironia, ele conseguiu condensar em uma única imagem aquilo que discursos longos não conseguem: a crítica direta ao vazio de liderança e ao caráter improvisado da atual gestão. A charge foi veiculada pela Gazeta Digital, quase como um detalhe diante da força simbólica da mensagem, que já entrou para o imaginário do debate político cuiabano.


