Na intricada tapeçaria da política cuiabana, há fios que se entrelaçam com tanta destreza que confundem até os olhos mais atentos. O ex-vereador Marcelo Bussiki, hoje secretário de Finanças de Cuiabá, parece servir com igual zelo a dois senhores: de um lado, o prefeito Abílio Brunini; do outro, o secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Fabinho Garcia. Fontes bem posicionadas garantem que, em não raras ocasiões, Fabinho é informado antes mesmo do chefe do Executivo municipal sobre decisões estratégicas da Secretaria — um gesto que, sutilmente, esvazia o prestígio do prefeito e lança sombras sobre sua autoridade.
Entre as paredes do Alencastro, comenta-se que até os secretários mais próximos já não se sentem obrigados a guardar a liturgia do cargo que o povo conferiu a Brunini. E como se não bastasse esse ar de subordinação cruzada, há rumores de que o chefe de gabinete do prefeito, até aqui discreto como convém aos que operam nos bastidores, muito em breve terá seu nome lançado à ribalta — não por vontade própria, mas pelo irresistível ímpeto da imprensa em farejar o poder mal alocado.


