A situação enfrentada pelos moradores da comunidade Rio dos Peixes escancara o grau de abandono da saúde pública em Cuiabá. Desde dezembro, o posto de atendimento local permanece aberto, porém sem médico — uma contradição que transforma o direito constitucional à saúde em ficção administrativa. Crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas seguem desassistidos, obrigados a recorrer à automedicação, longos deslocamentos ou simplesmente à espera de que o problema “passe sozinho”. O prédio existe, o serviço não. É a materialização do descaso institucionalizado.
A ausência prolongada de solução ou explicação por parte da gestão municipal evidencia que o problema não é pontual, mas estrutural. Quando uma unidade de saúde opera por meses sem seu profissional essencial, o que está em jogo não é apenas a eficiência da administração, mas o valor que ela atribui à vida da população. Cuiabá convive hoje com uma política de resistência física: quem aguenta, sobrevive. Quem não aguenta, paga o preço da negligência pública.


