
O programa “Tolerância Zero”, lançado pelo governador Mauro Mendes como vitrine de combate à criminalidade, na prática se transformou em uma peça publicitária para redes sociais, distante da realidade vivida nas ruas. Dados oficiais da própria Polícia Militar mostram um efetivo drasticamente abaixo do previsto: milhares de cargos de soldados permanecem vagos, enquanto candidatos aprovados em concurso público seguem aguardando convocação. Em um estado com 142 municípios e crescimento acelerado das facções criminosas, a falta de recomposição do efetivo revela que o discurso de rigor não se converteu em ação estrutural.
O contraste entre propaganda e realidade fica ainda mais evidente diante dos indicadores de violência. Mato Grosso segue entre os estados com altas taxas de feminicídio nos últimos anos, enquanto organizações criminosas ampliam território e influência. Mesmo assim, o governo mantém a PM operando no limite, deixando o policiamento ostensivo enfraquecer. O “Tolerância Zero” não combateu nada além da percepção pública — serviu para produzir vídeos, slogans e postagens, enquanto o efetivo da segurança pública é deixado à míngua.

