O que começou como um projeto de R$ 160 milhões anunciado pelo governador Mauro Mendes em 2021, agora já consome oficialmente R$ 900 milhões dos cofres públicos e pode ultrapassar a marca de R$ 3 bilhões, segundo estimativas de especialistas da construção pesada. O Parque Novo Mato Grosso, situado estrategicamente no epicentro da elite agroindustrial, tornou-se símbolo de um Estado que financia, com dinheiro do povo, o lazer e a valorização imobiliária dos bilionários da soja. Anunciado como espaço público, o parque desponta, na prática, como um condomínio de luxo disfarçado de equipamento urbano.
Enquanto cidades do estado carecem de creches, escolas dignas, habitação, segurança pública e saneamento básico, o governo investe cifras colossais em obras como kartódromo internacional, arena multieventos e, agora, um autódromo padrão FIA. A segregação espacial promovida por essa política de Estado transforma Cuiabá na senzala do asfalto, e o Parque Novo Mato Grosso na nova Casa Grande — onde poucos circulam, mas todos pagam. “O dinheiro público virou alavanca de lucro privado”, resume um urbanista ouvido pela reportagem.
Ao favorecer a elite com obras públicas faraônicas e desnecessárias para a maioria, Mauro Mendes cava não só o fosso social entre ricos e pobres, mas também o seu próprio desgaste político. Em vez de mecenas da cultura ou patrono do desenvolvimento, o governador começa a ser visto como arquiteto de um apartheid urbano — onde os muros não são de concreto, mas de privilégios financiados pelo povo.


