O governo de Mauro Mendes se aproxima do fim deixando exposto um arranjo político sustentado por vínculos pessoais, familiares e empresariais, conhecido nos bastidores como Panelinha dos Inhos. O núcleo reúne o deputado federal Fábinho Garcia, seu pai, o empresário Berinho Garcia, o empresário e presidente da Nova Rota do Oeste Cidinho Santos, além de Maurinho, ex-secretário da Casa Civil e por anos figura central do governo. Também integram esse circuito Luís Antônio Taveira Mendes, o Luisinho, e Helinho, reforçando a percepção de um poder que se organiza mais por laços privados do que por critérios institucionais.
O apoio do grupo a Otaviano Pivetta não é casual. Ao assumir o governo agora e disputar a eleição em outubro, Pivetta entra na condição de candidato à reeleição, com mandato potencial limitado a mais quatro anos. Essa engenharia abre a janela que interessa à Panelinha dos Inhos, preservar o controle no curto prazo e pavimentar o retorno de Mauro Mendes em 2030, sonho declarado do chefe do grupo, com a ambição de estender sua influência por mais oito anos à frente de Mato Grosso, entre 2030 e 2038. Sonhar é livre, assim como o choro, mas a pergunta que fica é se o eleitorado aceitará que o Estado continue sendo tratado como projeto privado de longo prazo.


