A reação da OAB-MT, comandada pela presidente Gisela Cardoso, ao episódio ocorrido em plenário revela um padrão preocupante: hipertrofia retórica para conflitos pontuais entre advogados e magistrados, comuns e previstos no cotidiano forense, e timidez institucional diante de temas que exigiriam coragem, constância e liderança. Ao transformar um desajuste processual em mobilização política, a entidade parece confundir defesa de prerrogativas com espetáculo corporativo, deslocando o foco daquilo que realmente impacta a cidadania e a credibilidade do sistema de Justiça.
O contraste é eloquente. Em um Estado que lidera, há anos, índices alarmantes de feminicídio, a OAB-MT não demonstra a mesma urgência nem o mesmo vigor público quando o tema envolve violência contra a mulher, advogados investigados ou condenados por agressões, ou casos graves que maculam a própria advocacia. Também chama atenção a assimetria de reações: há estardalhaço para embates retóricos, mas discrição quando surgem episódios de criminalidade envolvendo membros da classe, inclusive investigações amplamente noticiadas. Essa seletividade corrói a legitimidade do discurso institucional.
Prerrogativa não é salvo-conduto e não pode virar “vale-tudo”. A advocacia é função essencial à Justiça, mas sua defesa exige critério, coerência e responsabilidade pública. Quando a OAB prioriza a perfumaria corporativa e relativiza problemas estruturais, ela se afasta do papel histórico que a consagrou como voz republicana. A crítica aqui é institucional e opinativa, fundada em fatos públicos e comparações verificáveis: uma Ordem que escolhe onde gritar e onde se calar deixa de ser referência. A OAB-MT de hoje, infelizmente, está distante da Ordem que já foi.


