O Palácio Paiaguás virou o epicentro de uma guerra fria que acaba de romper o gelo e incendiar os bastidores da política mato-grossense. O governador Mauro Mendes, em uma manobra de puro “vale-tudo” pelo poder, decidiu descer para o campo de batalha com um objetivo fixo: isolar o veterano deputado Júlio Campos e impedir sua reeleição pelo União Brasil. Aproveitando-se do fim da “candidatura nata”, Mendes articula com aliados uma barreira burocrática e política para deixar o ex-governador sem legenda, numa tentativa clara de reduzir a pó a influência histórica da família Campos dentro da própria casa que ajudaram a construir.
A investida, classificada por interlocutores como uma “traição de gabinete”, não visa apenas o mandato de Júlio, mas busca atingir diretamente o coração do senador Jaime Campos, enfraquecendo o clã para as composições de 2026. Ao tentar “limpar” o partido de vozes tradicionais e independentes, Mauro Mendes joga uma cartada arriscada que pode rachar a base governista na Assembleia Legislativa e empurrar um dos maiores cabos eleitorais do estado para a oposição. Enquanto o governador tenta montar sua chapa “puro-sangue” e sob seu controle absoluto, o mercado político assiste atônito ao que pode ser o maior divórcio político da história recente de Mato Grosso, onde a gratidão deu lugar ao cálculo frio das urnas.
O Outro Lado
Este blog buscou contato com o deputado estadual Júlio Campos para tratar das movimentações de bastidor, porém, até o fechamento desta nota, às 23 horas, não obteve retorno. Já o senador Jaime Campos, ao ser questionado sobre a articulação do governador contra seu irmão, demonstrou ceticismo: o cacique de Várzea Grande afirmou que não acredita ser alvo de uma traição dessa magnitude por parte de Mauro Mendes. Resta saber se o otimismo do senador resistirá ao avanço da máquina do Paiaguás sobre as candidaturas do União Brasil.


