Depois de anos arrastando correntes no porão do Judiciário, a recuperação judicial da Engeglobal — empresa do empresário Robério Garcia, o Berinho, pai do poderoso secretário da Casa Civil Fabinho Garcia — chegou oficialmente ao fim. Sim, o juiz determinou que, após o cumprimento da maior parte do plano, incluindo obrigações trabalhistas, a empreiteira finalmente pode sair do purgatório jurídico onde habitava desde que declarou dívidas que já foram de R$ 591 milhões em 2018. Agora, a cifra reconhecida gira em torno de R$ 48 milhões. Milagre? Não — só uma mudança estratégica na administração judicial e no tempo.
O despacho mais recente, de abril de 2025, aponta que as pendências relevantes foram quitadas e que os eventuais descumprimentos estavam previstos no plano. Ainda assim, o juiz exigiu ouvir o Ministério Público antes de bater o martelo. Afinal, como bem lembrou o magistrado, o impacto de um processo desses extrapola os interesses da empresa e toca na função social — e até simbólica — da empreiteira que há décadas promete obras em Mato Grosso que mais parecem enredos de filme de terror com sequências intermináveis.
Se a Justiça declarou o fim do processo, resta saber se as obras que começaram quando pedreiros ainda eram jovens e hoje já têm netos finalmente serão concluídas. Por enquanto, resta ao povo mato-grossense orar para que Berinho termine alguma construção antes de outra geração envelhecer — e que Fabinho, o filho, possa comemorar não só nos bastidores da Casa Civil, mas talvez, quem sabe, em uma inauguração que não vire mais uma lenda urbana.
Fonte: Folhamax


