A carta aberta do Observatório Social de Mato Grosso ao prefeito Abílio Brunini escancarou um dos maiores escândalos da saúde pública do Estado: R$ 329 milhões de recursos federais exclusivos para Média e Alta Complexidade (MAC) permanecem parados desde 2019 na conta do Fundo Estadual de Saúde, enquanto mais de 427 mil procedimentos — entre exames, consultas e internações — estão represados na fila do SUS em Cuiabá e no interior. Segundo a conselheira Elda Mariza Valim Fim, a coordenadora da intervenção estadual, Danielle Carmona, e o governo Mauro Mendes nunca comunicaram o Ministério Público nem o Tribunal de Justiça sobre a existência desses recursos, mantendo a verba retida de forma silenciosa e irresponsável.
A denúncia é ainda mais grave porque esses valores pertencem, por direito, aos municípios, e poderiam ter sido repassados via transferência voluntária, como autoriza a Lei Complementar 141/2012. No entanto, o Estado escolheu segurar o dinheiro enquanto a população sofre, adoece e morre nas filas das UPAs. Mesmo diante do colapso no atendimento e da judicialização crescente, Danielle Carmona — hoje nomeada por Abílio para comandar a saúde municipal — nunca apresentou proposta de uso desses valores, nem previu metas reais no plano de intervenção. Para o Observatório, a nomeação de Danielle representa a continuidade de um modelo que “omite, terceiriza e mata”, e a omissão sobre os R$ 329 milhões é uma ferida aberta que exige ação imediata do Judiciário e do cidadão.


