O governador Mauro Mendes tenta, às vésperas de deixar o cargo, justificar o gasto astronômico de mais de R$ 2 bilhões, que pode chegar a R$ 3 bilhões, na construção de um autódromo para ricos dentro do chamado Parque Novo Mato Grosso — já conhecido entre os mato-grossenses como o Parque dos Bilionários. Para encobrir o caráter elitista da obra, o governo passou a patrocinar shows de artistas nacionais como Gusttavo Lima, Nattan e Alok, impulsionado pelo governo , tentando dar aparência de evento popular a um espaço construído para poucos.
O problema é que, como o texto aponta, não havia necessidade de um autódromo para receber shows. Cuiabá já dispõe da Arena Pantanal, com capacidade para 50 mil pessoas, além de praças e avenidas que poderiam comportar eventos gratuitos de forma acessível a todos. Em vez disso, o governo escolheu despejar bilhões em um complexo voltado a milionários, agora travestido de ponto de lazer do povo, quando na verdade se trata de um projeto de marketing político.
O governador tenta transformar um erro monumental de prioridade pública em espetáculo de despedida, usando a música e o entretenimento como cortina de fumaça para esconder a falta de investimentos em áreas essenciais. Enquanto gasta fortunas em shows e infraestrutura de luxo, o Estado segue enfrentando graves problemas na segurança pública, saúde e educação. A suposta “popularização” do Parque dos Bilionários é apenas uma ilusão financiada pelo bolso do contribuinte.
Mais grave ainda é a falta de transparência: não está claro quem paga efetivamente os cachês milionários dos artistas, nem os custos de operação dos eventos. Tudo isso em um espaço que, depois de construído com recursos públicos, foi entregue à administração de empresários ligados ao agronegócio e grandes grupos econômicos, os “barões da soja”. A privatização disfarçada de modernização deixa evidente a quem o projeto realmente serve — e não é ao povo mato-grossense.
O discurso de que o Parque traria desenvolvimento e inclusão se mostra falso quando se observa o público presente: majoritariamente de classe alta, chegando de carro, distante da realidade popular. O povo, que pagou a conta, continua sem acesso efetivo e sem retorno social. Os shows “gratuitos” funcionam apenas como tentativa desesperada de legitimar o gasto bilionário, quando o governo poderia promover cultura em espaços já existentes, sem desperdiçar novos recursos.
Em síntese, o que se vê é uma grande encenação política de fim de mandato. Mauro Mendes tenta transformar um símbolo de exclusão e gasto desnecessário em ato populista, buscando apagar o fracasso de uma gestão que privilegiou empreendimentos para elites enquanto Mato Grosso continua marcado pela desigualdade, violência e abandono das políticas públicas. A história, porém, não perdoa maquiagem — e o “autódromo dos bilionários” será lembrado como o monumento do desperdício e da distância entre governo e povo.


