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Nova Rota do Oeste vê dívida disparar para mais de R$ 1,6 bilhão enquanto consome caixa em ritmo acelerado

A situação financeira da Concessionária Rota do Oeste S.A., responsável pela BR-163 em Mato Grosso, revela um cenário de forte alavancagem e pressão sobre o caixa. Até setembro de 2025, a empresa acumulava dívida bruta de R$ 1,66 bilhão, crescimento de 64,7% em relação ao ano anterior, enquanto a dívida líquida saltou 217,6%, chegando a R$ 1,22 bilhão. O próprio relatório atribui o avanço ao financiamento das obras e à emissão de debêntures para sustentar os investimentos. 

Apesar de operar com margens elevadas no pedágio, a concessionária vem queimando recursos em ritmo intenso. Somente em 2025, os investimentos em duplicação, recuperação e melhorias da rodovia somaram R$ 1,27 bilhão, pressionando custos, ampliando despesas e reduzindo a liquidez da companhia.  O caixa e aplicações financeiras caíram significativamente frente ao ano anterior, refletindo o consumo de recursos para bancar o ciclo de obras. 

O aumento das despesas financeiras já começa a impactar o resultado: os gastos com juros e financiamentos cresceram de forma expressiva, provocando queda relevante no resultado financeiro líquido, mesmo com receitas operacionais ainda sustentadas pelo tráfego ligado ao agronegócio.  Na prática, a empresa mantém uma operação rentável no dia a dia, mas depende cada vez mais de endividamento para financiar sua reestruturação.

Com quase mil empregados diretos e um programa massivo de obras simultâneas ao longo da BR-163, a concessionária atravessa uma fase de alto risco financeiro, típica de projetos que ainda não converteram investimentos em retorno efetivo.  O desafio agora é transformar o volume bilionário aplicado em geração de caixa suficiente para equilibrar o balanço — antes que o peso da dívida se torne o principal gargalo da concessão.

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