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Nome de urna, discurso e contradição: Samanta do Abílio tenta vestir independência após campanha colada ao marido

A vereadora Samanta Iris, que registrou oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral o nome de urna “Samanta do Abílio” na eleição municipal de 2024, passou a afirmar publicamente que possui “opinião própria” e “voz independente” após entrar no embate político envolvendo o prefeito Abílio Brunini e a empresária Margareth Buzetti. A escolha do nome de urna não foi casual: no direito eleitoral, ele é instrumento de associação direta a um capital político já existente — estratégia amplamente utilizada por candidatos que buscam transferência de reconhecimento público. O contraste entre a identidade eleitoral adotada na campanha e o discurso atual de autonomia evidencia uma mudança de posicionamento comunicacional que chama atenção no cenário político local.

O episódio também ocorre em meio à recente aprovação do reajuste salarial dos vereadores de Cuiabá, medida sancionada pelo Executivo municipal, da qual a parlamentar é diretamente beneficiária. Ao reagir ao debate público dizendo que “responde porque quer”, Samanta busca se descolar da imagem de dependência política construída na própria campanha. O movimento revela tentativa de reposicionamento diante da opinião pública — legítimo no jogo político —, mas que carrega uma contradição objetiva: quem se apresenta eleitoralmente como extensão de um líder familiar não pode, sem explicação, reivindicar independência plena após a eleição. Essa tensão entre marketing eleitoral e discurso atual é o fato político central.

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