O Ministério Público de Mato Grosso desembolsou R$ 8,32 milhões em 2025 para pagar a remuneração de apenas 11 integrantes do Conselho Superior da instituição. Os dados, publicados pelo portal VG Notícias com base em informações oficiais de transparência, revelam que a maioria dos conselheiros recebeu acima de R$ 700 mil no ano, incluindo o Procurador-Geral de Justiça e o Corregedor-Geral. Em um estado marcado por déficits em saúde, infraestrutura e atendimento social, o contraste entre a realidade da população e a elite salarial do sistema de Justiça expõe uma distorção cada vez mais difícil de justificar ao contribuinte.
Embora parte dos valores seja composta por férias, 13º salário, gratificações e indenizações legais, o volume final ultrapassa com folga o padrão remuneratório médio do serviço público brasileiro e reacende o debate sobre os chamados “penduricalhos” que inflacionam vencimentos acima do teto constitucional. O caso reforça a urgência de maior transparência detalhada — separando salário-base de adicionais — para que a sociedade possa avaliar se esses pagamentos representam remuneração legítima por função estratégica ou um sistema autorreferente desconectado da realidade fiscal do estado.


