Em menos de dois dias fora do comando do governo, o ex-governador Mauro Mendes já acumula duas derrotas políticas que expõem fragilidade na sua articulação. Primeiro, a destituição do diretório regional do PRD, partido que funcionava como abrigo para nomes de menor densidade eleitoral da base governista, provocou um abalo silencioso, mas significativo, ao desmontar uma peça importante do tabuleiro político montado nos últimos anos. Agora, o segundo revés veio de forma ainda mais simbólica e pública.
Após o próprio Mendes anunciar a filiação do deputado federal Nelson Barbudo ao União Brasil, o parlamentar surgiu no dia seguinte ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, confirmando ida ao Podemos e aplicando um drible digno de manual político. A jogada lembrou a célebre frase de Garrincha, “fiz que fui, não fui e acabei fondo”, numa ironia que, desta vez, teve como marcador o próprio ex-governador. O episódio reforça a percepção de perda de controle sobre aliados e sinaliza que, sem a caneta, a autoridade política de Mendes começa a ser testada — e, ao que tudo indica, já está sendo superada em campo aberto.


