Durante ato político em Cuiabá, o governador Mauro Mendes (União Brasil) foi aplaudido por assessores, secretários e aliados da própria administração, ao se gabar de ter vetado o reajuste de 6,8% aprovado pela Assembleia Legislativa aos servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O discurso, feito durante a filiação do ex-deputado Nilson Leitão ao PP, soou mais como encenação política do que como gesto de austeridade — especialmente porque o novo presidente do PP é, na prática, subordinado político do governador, já que quem comanda o partido nos bastidores é o empresário Cidinho Santos, aliado histórico e indicado de Mendes na Nova Rota do Oeste.
O governador tentou se projetar como símbolo de coragem e responsabilidade fiscal, mas o tom de autopromoção acabou revelando uma cena de submissão política. O público que o aplaudiu não representava a sociedade, e sim quadros do governo e dirigentes partidários dependentes do seu poder, transformando o ato em um evento de lealdade, não de cidadania. Enquanto Mauro Mendes vangloria-se de vetar aumentos salariais no Judiciário, o próprio Executivo mantém contratos milionários, festas oficiais e propaganda institucional custeadas com o dinheiro público.


