A fala do governador Mauro Mendes durante entrevista recente soou, no mínimo, desrespeitosa com o senador Jayme Campos. Ao comentar sobre a possível candidatura de Jayme dentro do União Brasil, Mauro ironizou dizendo que “qualquer João ou Joaquim filiado pode se lançar candidato”. A declaração, ainda que disfarçada de normalidade democrática, teve o efeito oposto: rebaixou o senador, igualando sua trajetória política à de um filiado comum — um gesto interpretado como desprezo à vontade de Jayme de disputar o governo .
Percebendo o peso da própria frase, Mauro tentou corrigir o rumo logo em seguida, elogiando o senador e dizendo que ele tem “estatura e dimensão” para o debate político. Mas o dano já estava feito. Ao tentar colocar Jayme entre os “Joões e Joaquins”, o governador acabou revelando a dificuldade de lidar com novidades, ou independentes, candidaturas dentro do seu próprio grupo, preferindo um ambiente político controlado, sem surpresas .
Num momento em que o país pede opções e abertura de espaço para outras lideranças, o governador de Mato Grosso mostra o oposto: um discurso autoritário e restritivo, incapaz de estimular o surgimento de novas vozes. Talvez por isso, como ironizam aliados e adversários, Mauro acabe apostando sempre em “picolés de chuchu” — lideranças sem tempero, sem coragem e sem brilho próprio.


