Enquanto a maioria da população mato-grossense enfrenta filas na saúde, escolas deterioradas e um sistema de segurança cada vez mais abandonado, uma minoria privilegiada vive em outro estado — um Mato Grosso paralelo, onde festas de debutante e casamentos milionários se tornaram símbolo de uma elite exportadora de commodities desconectada da realidade popular. Em menos de um ano, Cuiabá foi palco de três eventos luxuosos: dois deles da poderosa família Maggi e um do ex-suplente de senador e atual diretor da Nova Rota do Oeste, Cidinho Santos — que, além de comandar a concessionária da BR-163, também é sócio do filho do governador Mauro Mendes.
A festa de 15 anos de Hanna Maggi, com shows de estrelas sertanejas e cenário de fábula, teria custado mais de R$ 10 milhões. O mesmo valor é estimado para o casamento da filha de Cidinho, que reuniu a elite política e empresarial do estado. Já o casamento de Rayssa Scheffer, herdeira de Elusmar Maggi, foi avaliado em R$ 15 milhões. Enquanto isso, a Nova Rota é alvo de duras críticas por cobrar caro, entregar pouco e ainda receber dinheiro público para manter a concessão. A discrepância entre esse mundo de luxo e a precariedade dos serviços essenciais pagos com o suor do povo escancara a face mais cruel da desigualdade.
Essas festas não são apenas comemorações particulares — são a expressão máxima de um sistema desigual sustentado por políticas como a Lei Kandir, que isentou o agro de impostos e transferiu riqueza pública para mãos privadas. Mato Grosso virou a casa-grande de uma elite agroexportadora que celebra com champanhe enquanto a senzala moderna agoniza à espera de um atendimento médico, de uma vaga na creche ou de segurança nas ruas.


