Em Mato Grosso, o capitalismo de relações ganhou contornos quase literários. Luís Antônio Taveira Mendes, o Luisinho, filho do governador Mauro Mendes, é sócio de Hélio Palma de Arruda Neto, o Helinho, conhecido genro do empresário Maurinho Carvalho. Helinho, por sua vez, é sócio de Maryane Braga Lima, esposa do procurador e próspero empresário Hugo Fellipe Martins de Lima. Não satisfeito, Hugo Fellipe também firma sociedade com Lucimara Polisel Gallo, esposa de Rogério Gallo, secretário de Fazenda e homem de absoluta confiança do próprio Mauro Mendes.
Numa impressionante coreografia societária, o que para uns poderia ser mera coincidência, para outros soa como uma verdadeira obra de arte da engenharia das afinidades. Em tempos em que o mercado preza pelo “networking”, Mato Grosso parece ter reinventado o conceito: aqui, ser amigo, parente ou compadre é, simultaneamente, uma vocação empresarial e uma estratégia de sucesso. Tudo, é claro, dentro da mais absoluta formalidade. Porque, no final, o bom humor manda lembrar: os negócios em família são os que têm maior índice de confiança — e, aparentemente, também de rentabilidade.


