No dia em que a Polícia Civil amanheceu nas casas e gabinetes de vereadores de Cuiabá, o líder do prefeito Abílio Brunini na Câmara, Dilemário Alencar — apelidado nos corredores de “Tatumário” pela quantidade de buracos não resolvidos na cidade — simplesmente desapareceu. Conhecido por ser barulhento nas redes e feroz nos ataques à oposição, o vereador sumiu como quem escorrega em um dos incontáveis buracos da malha viária cuiabana. Sua ausência gritante foi sentida justamente quando sua presença era mais necessária: para explicar como um vereador da base governista, Sargento Joelson, foi alvo de operação policial, acusado de negociar R$ 250 mil em propina com empresários interessados em aprovações legislativas.
A investigação, batizada de Operação Perfídia, escancarou o que há muito se sussurra nos bastidores: os discursos moralistas da base do prefeito Abílio parecem não resistir à primeira batida de porta da polícia. O vereador Joelson, aliado de primeira hora do prefeito e figura constante nas votações mais sensíveis da Câmara, foi citado em mensagens trocadas com empresários que, segundo a acusação, pagaram propina para que três vereadores — um deles ele — facilitassem projetos. Um pagamento de R$ 250 mil foi rastreado até a conta de um assessor de Joelson. E enquanto a cidade assiste a mais esse capítulo da podridão política local, o prefeito Abílio permanece em silêncio ensurdecedor. Onde está a sua prometida gestão de “gente séria”?
O sumiço de Dilemário, o silêncio cúmplice de Abílio e a cara de pau de quem pregava valores enquanto negociava no WhatsApp revelam que o “telhado de vidro” do prefeito não apenas trincou: ele começa a estilhaçar. O escândalo atinge em cheio a narrativa de “nova política” encenada por Abílio e seus aliados, e o líder do governo, que deveria enfrentar a crise de peito aberto, preferiu a covardia do silêncio. Uma liderança que foge quando o escândalo bate à porta não é liderança — é encenação. E como toda farsa, uma hora ela acaba.


