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Juiz dá puxão de orelha em Mauro Mendes por desrespeitar crença indígena: “fala foi aberrante e ofensiva à fé de um povo”

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), levou um severo puxão de orelha do juiz federal César Augusto Bearsi, da 3ª Vara Federal Cível de Mato Grosso, após declarações polêmicas feitas durante entrevista à Jovem Pan News. Na decisão proferida no âmbito de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), o magistrado classificou como “aberrante” e “ofensiva” a fala de Mendes que ridicularizou a crença de comunidades indígenas em “corredores espirituais”.

Durante a entrevista, o governador ironizou a existência de áreas sagradas para os povos originários e insinuou que elas teriam sido “inventadas” para travar uma obra ferroviária. O juiz foi direto ao ponto: afirmou que Mauro Mendes extrapolou os limites do debate político e atingiu diretamente a liberdade religiosa dos indígenas, um direito constitucional. “Não cabe a ninguém dizer que a fé do outro é invenção. O réu fez pior: disse que a crença foi criada para impedir uma obra”, escreveu o magistrado, ao defender que a fala ofendeu profundamente toda uma comunidade e sua espiritualidade ancestral.

Na decisão, o juiz determinou a retirada da entrevista do ar (ou da parte ofensiva), sob pena de multa diária de R$ 100 mil, e exigiu que as plataformas que veicularam o conteúdo sejam incluídas no processo. Ao reafirmar que liberdade de expressão não é um salvo-conduto para desrespeito, a Justiça mandou um claro recado: crença não se zomba, nem por quem ocupa o mais alto cargo do Estado.

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