Apesar da contundência ao rebater o governador, a deputada Janaína Riva tropeça ao tentar adotar uma postura de vítima de opressão machista. Em sua fala, afirma que homens tentam “nos desqualificar” e que sua posição de mulher e mãe a torna alvo constante de ataques. No entanto, o discurso não encontra ressonância diante da trajetória consolidada da parlamentar, que exerce mandato desde 2015, foi líder de bancada, membro da Mesa Diretora e figura influente nas articulações políticas da Assembleia.
Se por um lado há agressões verbais injustificáveis, por outro o recurso à vitimização pode soar incoerente com o papel de protagonismo que Janaína representa no cenário político estadual. A tentativa de colar a imagem de “mulher oprimida” contrasta com a força e o capital político que a deputada ostenta – inclusive já se colocando como pré-candidata ao Senado e à sucessão do Palácio Paiaguás. Em política, como na retórica, é preciso escolher bem os papéis que se quer desempenhar.


