O relatório do Balanço Geral do Estado de Mato Grosso de 2024 é, ao mesmo tempo, um documento técnico e uma denúncia silenciosa: revela um governo que opta conscientemente por desprezar o social.
Com um orçamento superior a R$ 39 bilhões, o governador Mauro Mendes destinou menos de 1% das despesas totais às funções diretamente ligadas à dignidade humana — Habitação (0,03%), Saneamento (0,03%), Organização Agrária (0,13%) e Assistência Social (0,75%). Enquanto isso, R$ 95,9 milhões foram torrados em propaganda institucional, numa tentativa de maquiar uma gestão cada vez mais desconectada da realidade da população mato-grossense.
O jurista Emanoel Bezerra Júnior, sócio do respeitado escritório Bezerra & Curado Advogados Associados, ficou estarrecido com os dados. “É inconcebível que um governo com ampla disponibilidade de caixa escolha investir tanto em propaganda e tão pouco em moradia, saúde básica e infraestrutura sanitária. Isso é mais do que má gestão: é um projeto político que ignora os mais vulneráveis”, declarou.
A crítica se intensifica diante do contexto social dramático. Dados recentes do INEP apontam para o colapso da educação pública no estado, com resultados pífios em avaliações nacionais. A saúde pública, mesmo recebendo os 14% constitucionais, sofre com o caos na atenção básica e superlotação hospitalar.
Especialistas já alertam: a exclusão social é combustível para a violência urbana. E os números confirmam — Mato Grosso lidera as estatísticas nacionais de feminicídios, ao mesmo tempo em que vê o crime organizado se fortalecer nas periferias, aproveitando o vácuo deixado pelo Estado.
O aumento de 68% no Passivo Circulante, que saltou para R$ 18,8 bilhões em 2024, revela ainda que a gestão vive uma bolha de prosperidade aparente, mas empurra dívidas e responsabilidades para os próximos governos — uma herança que comprometerá o futuro do estado.
Enquanto isso, o marketing oficial segue em alta rotação — criando uma narrativa de sucesso que não se sustenta na realidade do povo.



