O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), deixou claro que respeita e cumprirá todas as decisões do Poder Judiciário, mas, como cidadão, não esconde sua reprovação à recente determinação do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A decisão restabeleceu o direito de visitas da esposa de Sandro da Silva Rabelo, conhecido como Sandro Louco, um dos líderes de facção criminosa no estado. Para Mendes, criminosos condenados não devem ter os mesmos direitos e condições de quem está fora do sistema prisional.
“Cumpriremos, porque respeitamos as leis. Mas como cidadão, tenho o direito de discordar e externar minha opinião”, afirmou o governador, frisando que a penitenciária não deve ser um ambiente de regalias. Mendes reforçou que a punição deve servir como exemplo para desestimular a criminalidade e que decisões como essa podem enfraquecer essa lógica.
O detento, condenado a 193 anos de prisão por crimes violentos, teve o direito de visitas da esposa restabelecido sob alegação de problemas de saúde e extinção da pena dela. O Ministério Público tentou barrar a decisão, argumentando riscos à segurança pública, já que Thaisa Souza de Almeida também tem histórico criminal, mas o TJMT manteve a permissão por unanimidade.
Mas no fim, o discurso do governador ecoa a hipocrisia de quem brada contra leis permissivas, mas nunca moveu uma palha para mudá-las. Se a legislação é falha, onde estão os projetos do União Brasil no Congresso para endurecê-la? O governo de Mendes prefere a comodidade da indignação sem ação, pegando carona na demagogia que tanto critica, enquanto a realidade segue inalterada.


