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Falta de projeto de drenagem pode trazer sérias consequências para as obras do BRT — a promotora Maria Fernanda estava certa, o MP e o Judiciário estavam errados

A construção do BRT em Cuiabá e Várzea Grande segue a passos largos não apenas por força do governo estadual, mas também porque o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, conselheiro Sérgio Ricardo, assumiu na prática um papel de liderança institucional que ultrapassa o técnico e se aproxima do político, ocupando o espaço deixado pelo governador Mauro Mendes, que fez uma verdadeira lambança na capital. Sérgio Ricardo tem exercido sua função com dignidade, presença e devoção, buscando preservar o funcionamento da máquina pública e o andamento das obras, mesmo diante do caos administrativo e da falta de planejamento do Executivo estadual. Ainda assim, a ausência de um projeto específico de drenagem, fator crucial para garantir a segurança e durabilidade do sistema, expõe o BRT a riscos graves. As chuvas que recentemente atingiram a região escancararam esses problemas: a Avenida do CPA, em Cuiabá, e a Avenida da FEB, em Várzea Grande, transformaram-se em verdadeiras calhas a céu aberto. A água escoava com velocidade absurda sobre as faixas de concreto do BRT, reflexo direto da negligência com a drenagem urbana. Como resultado, alagamentos em série tornaram-se rotina nessas vias, comprometendo não apenas a mobilidade, mas a segurança da população.

Essa situação crítica torna ainda mais evidente a gravidade da decisão de iniciar as obras sem um projeto executivo completo e sem as devidas licenças municipais. Entre os riscos concretos estão o colapso de estruturas antigas — como a da Avenida da Prainha, coberta nos anos 1970 sem sondagens atuais —, danos ambientais com o escoamento descontrolado das águas pluviais, e interrupções frequentes no trânsito. A falta de planejamento pode gerar prejuízos milionários aos cofres públicos, com reparos emergenciais e atrasos inevitáveis. Em um cenário onde Cuiabá já sofre com enchentes e falhas de infraestrutura, seguir com uma obra desse porte sem drenagem adequada beira o irresponsável.

No centro desse impasse institucional está a promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, que protagonizou um dos gestos mais marcantes da história recente de Mato Grosso ao determinar a suspensão das obras do BRT por ausência de projeto e licenças. Sua decisão foi além de uma decisão técnica — foi um ato de coragem e resistência diante de um governo que prefere impor sua vontade à força, atropelando leis e normas básicas de engenharia e urbanismo. Mesmo diante de decisões judiciais equivocadas que autorizaram a continuidade da obra, a promotora manteve sua postura firme e embasada, honrando o verdadeiro papel do Ministério Público: proteger o interesse público e garantir a legalidade.

Em contraste, a omissão da Associação do Ministério Público e o silêncio cúmplice de seus pares diante dos ataques sofridos por Maria Fernanda revelam o esvaziamento ético de uma instituição que já teve papel altivo na defesa da sociedade. Enquanto o governador Mauro Mendes impõe um projeto apressado e ultrapassado — enterrando o VLT com 70% da obra pronta e vendendo nossos vagões para a Bahia —, o Ministério Público, salvo raras exceções, se cala. A promotora Maria Fernanda, no entanto, se ergue como símbolo de integridade, técnica e coragem, mostrando que é possível resistir mesmo quando a corrente é forte.

A persistência em manter a obra do BRT sem um projeto de drenagem adequado é uma sentença anunciada contra Cuiabá e Várzea Grande. Os alagamentos, os riscos estruturais, os prejuízos financeiros e o impacto ambiental não são suposições — já estão acontecendo. A promotora estava certa. O Ministério Público e o Judiciário, neste episódio, erraram. A história, como sempre, fará seu juízo. E, como já nos ensinou o tempo, a verdade não se curva à conveniência do poder. Ela resiste — porque é com ela que, no fim, o povo sempre acaba se encontrando.

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